IPv6

Com IPv6, usuário terá endereço de IP fixo

Antonio Moreiras, do NIC.br, explica porque é importante a mudança para o novo protocolo e alerta: “Até 2009 ainda haviam 26 blocos de IPv4; Este ano, há apenas 14”.

Um dos temas mais comentados dos últimos meses é a questão do esgotamento do IPv4 e a urgente migração para o novo protocolo, de versão 6. Algumas empresas e data centers acreditam que a rápida mudança é válida e já investem milhões para que os seus clientes não tenham mudança significativa em pouco tempo. No entanto, algumas outras preferem se basear, inicialmente, em estudos para evitar possíveis falhas e frustrações provindas de uma migração às escuras. 

 

Segundo o engenheiro de projetos do NIC.br, entidade braço do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), Antonio Moreiras, a rápida migração para o novo protocolo é essencial para a evolução do trabalho na rede. 

 

Moreiras afirma que ainda estamos na segunda fase da internet, cujas máquinas ligam pessoas. No entanto, a fase de máquinas ligando coisas está breve; Além disso, há a rápida inclusão digital de muitos países em desenvolvimento e as tecnologias 3G e a 4G. 

 

De acordo com os dados do NIC.br, Nos últimos 10 anos a internet cresceu 444,8% e, em 2014, com o crescimento do setor de smartphones, tablets, modems e netbooks 3G, a demanda registrará 2,25 bilhões de aparelhos.

 

Como esta nova fase acontecerá em breve, o executivo explica que, cada vez mais, os domínios se esgotam, forçando a todos a voltar-se a favor da migração para IPv6. 

 

Inicialmente, quando a internet foi criada, havia a distinção de classes que recebiam os blocos de protocolo. Eram elas: A, B, C e a de endereços reservados. Segundo Moreiras, a classe A era composta por grandes players, como a IBM, HP, AT&T, MIT e DoD.

 

Mesmo com um número alto de 4.94.967.296 endereços disponíveis em IPv4, ele afirma que estes poderiam ter se esgotado logo após a abertura da internet para comercialização. Isto só não aconteceu porque dois grupos das organizações da rede procuraram soluções paliativas e rápidas. Uma delas foi o CIDR, que excluiu o uso das classes A, B, C e passou a distribuir os blocos de acordo com as necessidades de uso. 

 

Este é o motivo de ainda existirem endereços IPv4 disponíveis e, alguns players ainda possuírem IPs inativos. 

 

Outras soluções adotadas naquele momento foram o RFC – que definiu as faixas de endereço utilizadas em uso privado –, e o NAT – que permitiu conectar toda uma rede de computadores usando apenas um endereço válido de internet, porém, com várias restrições. 

 

Moreiras afirma que o NAT foi bom para a internet, por reduzir as necessidades dos endereços públicos, facilitar a numeração interna das redes e ocultar a topologia das mesmas. No entanto, esta solução vai contra o modelo fim-a-fim da web e dificulta o funcionamento de várias aplicações, além de não ser escalável. 

 

IPv6

 

Segundo o executivo, desde 1998 há testes em operação para IPv6 na internet. “Com este novo protocolo, o espaço para endereçamento é quadruplicado, além de ter outras diferenças, como o cabeçalho base, que é simplificado, os de extensão, identificação de fluxo de dados e mecanismos de IPSec incorporados ao protocolo”, explica Moreiras.

 

A previsão inicial para implantação do IPv6 é deixar em pilha dupla, ou seja, operar com as duas versões do protocolo simultaneamente. Quando todos tiverem IPv4 e IPv6, pode –se começar a excluir o IPv4.

 

Para ele, é necessário utilizar o IPv6 neste momento, pois, no mundo, já há 1.966.514.816 usuários de Internet, ou seja, 28,7% de toda a população global já acessa a rede. No Brasil, 27% dos domicílios já possuem internet, sendo 3,5 milhões em banda larga móvel e 11 milhões em fixa.

 

Na região da América Latina ainda há um estoque pequeno com endereços no antigo protocolo. Até 2009 ainda haviam 26 blocos; em 2010, há apenas 14. 

 

Já há cerca de 800 empresas com bloco de IPv6 no Brasil. “Isto é importante tanto para o mundo corporativo como para os domicílios, pois o usuário de casa deixará de ter um endereço dinâmico, atrás de NAT, e terá endereço fixo”, finaliza. 

 
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