Setor deve movimentar R$ 44,6 bilhões até o fim do ano, segundo o relatório WebShoppers.
Em 2015, apesar do cenário econômico desfavorável, o comércio eletrônico brasileiro registrou um crescimento nominal de 15% no faturamento, movimentando R$ 41,3 bilhões. E o que poderia ser motivo de alegria no início de 2016, quando os dados foram consolidados, virou apreensão em relação ao futuro após as mudanças nas regras de cobrança do ICMS. Com a suspensão temporária da divisão da cobrança origem/destino pelo Supremo, os grandes e médios varejistas ganharam mais tempo para adaptar seus sistemas. O que deve fazer com que o impacto no faturamento anual seja minimizado. Por isso, as projeções da 33ª edição do relatório WebShoppers para 2016 são mais otimistas. Segundo o estudo do E-bit, o e-commerce nacional deve faturar R$ 44,6 bilhões este ano, o que representará um acréscimo nominal de 8% em relação ao ano passado.
Apesar de ficar abaixo dos dois dígitos pela primeira vez na história, o crescimento de 2016 deve ser sustentando por tendências consolidadas em 2015. Entre elas, o expressivo crescimento das vendas feitas por dispositivos móveis, que passaram a representar 12% do faturamento, na média do ano, e 14,3%, em dezembro. “Em 2016 essa participação deve crescer para 18%”, afirma Pedro Guasti, diretor do E-bit.
Outra tendência é o crescimento de participação do e-commerce no bolo total do comércio varejista. “Há dois anos o e-commerce vem crescendo, enquanto o varejo tradicional vem apresentando resultados negativos. Se comparado com o varejo restrito no Brasil, medido pelo IBGE, o e-commerce representou 3,3% das vendas totais do país em 2015 e deverá representar 3,7% em 2016”, comenta Pedro.
Em 2015, o número de consumidores que realizaram pelo menos uma compra via Internet também aumentou, chegando a 39,1 milhões, volume 3% maior se comparado a 2014. A quantidade de pedidos cresceu 3%, atingindo 106,2 milhões.
E apesar da retração de consumo da classe C (queda de 4,4% de participação da população com renda até R$ 3 mil), o público de renda mais elevada comprou mais pela Internet. Essa é uma das explicações para o crescimento do tíquete médio, que ficou em R$ 388, valor 12% mais alto, se comparado ao ano anterior. Para 2016, estima-se que o tíquete médio das compras gire em torno de R$ 419, o que representa um crescimento de 8% em relação ao ano passado.
“Outro fatores que justificam esse quadro são o aumento de 8,94% nos preços praticados, segundo o Índice FIPE/Buscapé, e a preferência dos consumidores por produtos recém-lançados e de alto valor agregado”, explica o diretor executivo da E-bit/Buscapé, André Ricardo Dias.
Outro ponto de destaque no ano passado foi a elevação no NPS (Net Promoter Score), que mensura a satisfação e a fidelização dos clientes no comércio eletrônico. No segundo semestre, o índice apresentou seu melhor resultado desde 2013, com 65% de satisfação. Isso aconteceu em virtude da diminuição no atraso das entregas e da melhoria dos serviços prestados pelas lojas. Nem mesmo a redução da oferta de frete grátis pelas lojas chegou a interferir no resultado. Em 2015, apenas 39% das compras (dezembro/2015) não tiveram cobrança de entrega.

