Pesquisas

Comércio eletrônico gerou US$ 210 bilhões em 2009

Apesar da crise econômica do ano passado, FGV-EAESP mostra que resultado foi superior a 2008 e houve uma mudança de foco nos investimentos para melhorias do CE. Por outro lado, redes sociais como ferramenta de negócios ainda são inexpressivas.

A divulgação da 12ª edição da análise do “Comércio Eletrônico no Mercado Brasileiro”, realizada pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), constatou que as empresas investiram mais nesse segmento em 2009. O relatório aponta que o motivo desse aumento está relacionado à crise financeira ocorrida no mesmo período que fez com que as corporações fizessem os gastos de forma mais afetiva em desenvolvimentos de aplicações para o CE.
 
O estudo foi realizado com 437 empresas de vários setores econômicos, ramo de atividade e portes. Essas empresas, tanto nacionais como multinacionais, operam no mercado brasileiro e atuam e diversos níveis do ambiente digital.
 
Transações pelo comércio eletrônico geraram 210 bilhões de dólares em 2009, o qual US$ 60 bilhões (29,32%) foram negociações entre corporações e consumidores e US$ 150 bilhões (63,21%) entre comércio e comércio (B2B). Segundo o coordenador da pesquisa e coordenador do Centro de Tecnologia de Informação aplicada da FGV-EAESP, professor Alberto Luiz Albertin, o resultado positivo no CE foi proporcionado pelo bom ambiente econômico do Brasil que não sofreu tanto com crise, como aconteceu em outros países.
 
O volume superou os números do ano anterior, que totalizou US$ 190 bilhões de transações comerciais pela internet.
 
Por outro lado, o estudo mostra que as empresas não realizaram crescimentos expressivos nos gastos e investimentos em CE. A média geral foi de 1,41% da receita liquida, sendo 0,42% da indústria, 1,32% do comércio e 2,04% do setor de serviços, que foi mais expressivo. “Crescemos menos o que estávamos acostumados a crescer”, avalia Albertin.
 
Além da constatação de que os investimentos em CE no ano passado tiveram índices menores que nos últimos dois anos, o foco para o setor de produtividade, custo e qualidade.
 
Estratégia de negócios
Albertin ressalta que, apesar da crescente divulgação das redes sócias como ferramentas de negócios, a sua expressão ainda não possui volume suficiente de projetos e ações no mercado. “Futuramente ela tende a crescer. Mas, hoje, não há como quantificar ou analisar o seu uso efetivo nas empresas”.
 
De acordo com o levantamento, as grandes preocupações das empresas estão direcionadas para o quesito relacionamento. Entre as entrevistadas, 93% estão atentas ao atendimento com seus clientes. Além disso, o professor da FGV chama a atenção para o crescimento na preocupação da cadeia de suprimentos, que totalizou com 71%. “No começo elas cuidavam de tudo. Hoje, elas querem saber o que o cliente vai usar”, diz.
 
Como estratégia de negócio, atualmente as empresas tem maior atenção com o relacionamento, adoção de novos clientes, privacidade e segurança, alinhar o ambiente digital com sua estratégia geral. “Em relação ao último tópico, as empresas estão atentas em ter um site eficiente e que possa oferecer ferramentas fáceis de negociação”.
 
Qual o motivo?

Por último, a FGV-EAESP questionou sobre o que as empresas esperam ao inserir seus negócios pela web. De acordo com o levantamento e com uma pontuação de 0 a 5: 4,59 buscam novas oportunidades de negócios; 4,49 relacionamento com os clientes; 4,46 estratégia competitiva; 4,10 economia direta; e 4.06 novos canais de vendas e distribuição. “Por essa análise, percebemos que as empresas estão se preparando para a nova era da economia no Brasil”, conclui Alberto Luiz Albertin.

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