Casos de sucesso

Como uma startup e uma empresa tradicional enfrentam a crise provocada pelo novo coronavírus

Vítor Pasi Canineo tem um ponto de vista diferente no que tange à crise causada pelo novo coronavírus. Ele é um dos sócios da Dicon Contabilidade, um escritório contábil, e também CEO da startup Contabexpress, que conta com solução tecnológica para o mesmo setor. Nestas posições, ele enfrenta o desafio de liderar empresas de diferentes modelos de atuação enquanto ajuda os próprios clientes a lidar com a crise.

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Canineo conta primeiro sobre a Contabexpress, empresa onde ele atua mais diretamente, já que é o principal líder. Ele confessa que, por ser uma startup e ter uma proposta digital, a migração para o home office foi rápida e fácil. “Se tornou uma oportunidade para nós testarmos a maturidade de nossa equipe”, afirma. “Com um time de 25 pessoas, todos jovens, conseguimos migrar para o trabalho de casa e manter a gestão. Os processos se mantiveram do mesmo jeito.”

Já na Dicon, empresa com 40 anos de mercado e mais de 100 colaboradores, a situação foi diferente. No dia 16 de março, a empresa colocou parte da equipe mais vulnerável em casa e testou o modelo do home office antes de implantá-lo totalmente na semana passada. “Foi uma migração de forma escalonada”, explica.

Para gerenciar os dois times, Canineo explica que as duas empresas utilizam as mesmas ferramentas. Primeiro vem o Trelo, que faz a gestão de tarefas online. Depois, e mais importante, o WhatsApp, que é responsável por manter a comunicação entre os profissionais de cada equipe. No caso da Dicon, que é maior, foi necessário dividir a empresa em grupos, com cada um sendo liderado por uma pessoa diferente. “Contamos com um grupo só com os líderes”, diz ele, “para que a comunicação e a gestão se dê de forma mais simples e direta”.

Comunicação com o cliente de forma digital

A grande mudança na Dicon foi a forma de se comunicar com o cliente. Tradicionalmente mais próxima deles, com o tratamento “olho no olho”, a pandemia de Covid-19 obrigou a empresa a mudar seu modelo. Hoje, tudo é feito de forma digital ou por telefone, inclusive o imposto de renda para pessoa física, que era feito com 600 clientes de forma presencial. “Recebíamos eles em nosso escritório, com toda a documentação física. Tivemos que começar a aceitar os documentos de forma digital”, esclarece.

Nessa comunicação direta, uma mudança feita no passado ajudou a Dicon a lidar com a comunicação com o cliente. A partir da digitalização do PABX, foi possível redirecionar as chamadas de clientes para os celulares dos líderes e garantir a comunicação direta sem precisar trocar números de telefone.

Na Contabexpress, a situação era digital desde o começo. “Nossa equipe já utilizava planilhas compartilhadas do Google e também fazemos atendimento de alguns clientes por WhatsApp”, diz o executivo, que destaca que o grande diferencial é a plataforma Astro, desenvolvida pela própria startup e que cumpre o papel de ser a interface de toda a documentação fiscal do cliente com a empresa.

Produtividade da equipe

As equipes foram migradas para o home office, os processos e o atendimento com os clientes passaram a ser remotos… mas e a produtividade? De acordo com Vítor Canineo, na Contabexpress a eficiência da equipe tem sido satisfatória. “Temos picos de queda na produtividade às vezes, mas é por conta da demanda familiar, com os filhos em casa, a empresa tem que entender isso e permitir a flexibilidade do colaborador para dar a atenção à família também”, destaca.

Já a Dicon apresenta algumas diferenças. Por atender toda a demanda contábil e pessoal de seus clientes, as equipes internas têm diferentes picos de produtividade. Enquanto a produtividade fiscal e contábil se manteve (já que não houve, por enquanto, qualquer suspensão na cobrança de obrigações acessórias e de impostos), o departamento pessoal aumentou sua operação devido ao número de empregados de clientes entrando em férias.

Canineo afirma que a situação está controlada dentro das duas empresas no momento, mas ele acredita que, depois que este momento passar, mudanças de comportamentos serão impostas à Dicon. “Talvez será possível ver que há ganho de produtividade no trabalho remoto, ao mesmo tempo em que a falta de relacionamento físico fortaleça o atendimento mais próximo, com olho no olho”, pondera o executivo.

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