O Brasil avançou na expansão da infraestrutura de telecomunicações em 2025, mas ainda convive com fortes desigualdades regionais. É o que revela a nova edição do Índice Brasileiro de Conectividade (IBC), elaborado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que aponta crescimento do indicador em 82,8% dos municípios brasileiros e uma melhora geral na qualidade da conectividade nacional.
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O estudo mostra que a média nacional do IBC passou de 52,4 pontos em 2024 para 55,35 pontos em 2025, em uma escala de 0 a 100. Além do avanço da média, houve redução da dispersão dos resultados entre os municípios, sinalizando uma leve diminuição das desigualdades internas de conectividade.
Ao todo, 4.614 dos 5.570 municípios brasileiros (82,8%) registraram evolução no índice, enquanto apenas 956 apresentaram redução em relação ao ano anterior. O componente que mais avançou foi a cobertura móvel, que melhorou em 92,9% dos municípios analisados.
Conectividade cresce, mas distribuição ainda é desigual
Apesar do avanço nacional, o levantamento evidencia que a infraestrutura digital continua concentrada nas regiões historicamente mais desenvolvidas.
Em 2025, as maiores médias do IBC foram registradas no Sul (63,4 pontos) e Sudeste (62,2), seguidas pelo Centro-Oeste (52,4). Nordeste (48,1) e Norte (40,8) permanecem abaixo da média nacional.
Entre as regiões, o Centro-Oeste apresentou a maior evolução anual, com aumento médio de 3,87 pontos no índice, seguido por Nordeste (3,22), Sul (3,10), Brasil (2,95), Sudeste (2,46) e Norte (2,33). Todos os resultados apresentaram significância estatística.
Segundo a análise, o Centro-Oeste também liderou o percentual de municípios com melhora do indicador, alcançando 87,2%, enquanto o Sul registrou 86,8%.
Infraestrutura ainda forma “ilhas” de conectividade
Um dos principais achados do relatório é que a conectividade brasileira continua fortemente influenciada pela localização geográfica.
A Anatel aplicou testes de autocorrelação espacial utilizando o Índice de Moran e constatou elevada concentração territorial da infraestrutura digital. O resultado (Índice de Moran de 0,6081) indica que municípios com altos níveis de conectividade tendem a estar cercados por outros igualmente bem conectados, enquanto localidades com baixo desempenho também permanecem agrupadas.
Os chamados clusters de alta conectividade concentram-se principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte de Minas Gerais. Já os agrupamentos de baixa conectividade predominam na Amazônia Legal, no interior do Nordeste e em áreas menos desenvolvidas do país.
Embora essa estrutura histórica permaneça, o estudo identifica que a expansão recente da infraestrutura ocorreu de forma mais distribuída pelo território nacional, indicando que novos investimentos começam a alcançar municípios anteriormente menos conectados.
Renda e conectividade caminham juntas
O levantamento também confirma uma relação direta entre desenvolvimento econômico e infraestrutura digital.
A análise identificou correlação positiva entre o IBC e o PIB per capita municipal (ρ = 0,49), indicando que municípios mais ricos tendem a apresentar melhores níveis de conectividade. No entanto, a relação não é absoluta.
Há casos de municípios com elevado PIB per capita e infraestrutura digital limitada — os chamados “enclaves econômicos” — onde atividades como mineração, geração de energia ou agronegócio elevam a renda local sem necessariamente ampliar o acesso da população às telecomunicações.
Outro dado relevante mostra que municípios classificados na faixa de maior conectividade (IBC acima de 65 pontos) possuem renda média per capita de R$ 57,5 mil, mais que o dobro dos municípios enquadrados na faixa de baixa conectividade (IBC inferior a 40 pontos), cuja média é de R$ 26,1 mil.
Nova metodologia amplia foco sobre conectividade rural
A edição 2025 consolida a metodologia revisada pela Anatel em 2024, considerada mais aderente à realidade atual das telecomunicações brasileiras.
Entre as principais mudanças está a inclusão de um indicador específico de conectividade rural, desenvolvido em parceria com a ConectarAgro e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), além da atualização dos pesos atribuídos aos diferentes componentes do índice.
O IBC passou a considerar apenas acessos móveis em tecnologias 4G ou superiores, banda larga fixa acima de 100 Mbps, presença de backhaul em fibra óptica, densidade de estações rádio-base (ERBs), cobertura móvel, competição entre prestadoras e cobertura em áreas agrícolas.
Políticas públicas
Para a Anatel, os resultados mostram que o Brasil continua reduzindo gradualmente a desigualdade digital, mas ainda enfrenta desafios estruturais importantes.
A análise espacial indica que os investimentos recentes estão chegando a novas regiões, porém a infraestrutura acumulada ao longo das últimas décadas continua concentrada em áreas economicamente mais desenvolvidas. Segundo o relatório, essa realidade reforça a necessidade de políticas públicas territorialmente direcionadas para acelerar a expansão da conectividade em regiões historicamente menos atendidas.
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