Que a conectividade impacta diversas atividades econômicas não é novidade, mas no agronegócio tudo depende de quais atividades serão digitalizadas. De acordo com Paulo Bernardocki, diretor de Soluções de Redes da Ericsson, é possível aumentar a produtividade de um produtor rural em até 60% – dependendo do estágio de transformação digital da fazenda – e diminuir os custos de produção em até 20%.
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“Em um mercado de commodities, como o agronegócio, qualquer aumento de produtividade e redução de custos implica em ganho na venda e crescimento do País”, aponta o especialista em rede. A digitalização, que pode vir em diferentes casos de uso se estendem para a rastreabilidade da produção, telemetria, acompanhamento do pessoal em campo, e dados meteorológicos. Seria possível implementar, inclusive, a agricultura de precisão, que é o uso correto de fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes. “A amplitude deste projeto e a profundidade da transformação determinarão o impacto final para cada produtor.”
No entanto, apesar desses ganhos claros, apenas 29% dos produtores tem suas terras conectadas, segundo números da Ericsson. Bernardocki explica que o motivo é que, atualmente, a conexão que chega até o ambiente rural é por satélite ou por rede celular. Enquanto os satélites são o suficiente para conectar as atividades de gestão de uma fazenda, eles não são o bastante para suportar tecnologias aplicadas na lavoura, pois não suportam a mobilidade de equipamentos como tratores e colheitadeiras, de acordo com o especialista.
Com a rede celular, o problema é outro. “O que aconteceu até recentemente é que o modelo de negócio das operadoras celulares esteve baseado em banda larga móvel para as pessoas e a implementação de extensas áreas de cobertura no interior do país não traziam retorno econômico adequado”, explica Bernardocki. A situação mudou de figura com a aplicação de dispositivos inteligentes (IoT) no campo e o desenvolvimento de equipamentos e arquiteturas de rede para esse tipo de uso.
Dentro desse contexto, o 4G é a tecnologia que mais traz benefícios para o agronegócio, na visão do executivo. Ele aponta que a tecnologia já está madura e os dispositivos disponíveis contam com preço competitivo, além de diversos casos de uso mundo afora que podem ser replicados. Outro ponto interessante é a frequência utilizada pelo 4G, o 700 MHz, que permite um raio de cobertura de até 10 quilômetros a partir de apenas uma antena (a depender da topologia do terreno).
Para ele, o 5G ainda não está maduro o suficiente para aplicação no campo hoje. A expectativa é que as possibilidades com a nova tecnologia – que tem baixa latência e permite mais confiabilidade em operações críticas – permitam inovações no futuro. Um exemplo seria um drone de captura de imagens para detectar pragas na lavoura. O dispositivo poderia estar conectado à nuvem e enviando dados em tempo real, permitindo que uma inteligência artificial comandasse ações para o drone, como a aplicação de um defensivo assim que detectada uma praga.
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