Segundo Paulo Roberto Bertin, presidente da ADIBE, não adianta investir somente em publicidade para o público final quando a peça chave para o sucesso da venda de bebidas é o distribuidor.
Crise financeira, alta do dólar, novas leis, mudanças de hábitos e de costumes. Nenhum dos problemas que usualmente afligem os empresários pertencentes à maioria dos segmentos parece causar grande impacto nos setores ligados à bebidas – fábricas, distribuidoras, bares, restaurantes. Até mesmo os prejuízos causados inicialmente com a criação da Lei Seca (Lei número 11.705, sancionada pelo presidente Lula no último dia 19 de junho, que prevê maior rigor contra o motorista que ingerir bebidas alcoólicas), que chegou a reduzir o consumo nos bares da região central em cerca de 30%, já foram praticamente sanados – a queda agora está em apenas 10%, sendo compensada pelo aumento das vendas em bares localizados em zonas residenciais. Nos meses de novembro e dezembro, período de maior faturamento para o setor, espera-se um desempenho entre 20% e 30% maior que o restante de 2008.
“O brasileiro não deixa de beber, ele simplesmente se adapta às adversidades, podendo até trocar de marca de bebida, se sua preferida estiver muito cara ou em falta, passar a beber mais perto de casa, como vêm fazendo por conta da Lei Seca, ou até passar a pedir sucos, águas com sabor e refrigerantes com poucas calorias, quando a moda demanda corpos esbeltos e estilo de vida mais saudável”, observa Paulo Roberto Bertin, presidente da Associação dos Distribuidores de Bebidas do Estado de São Paulo (ADIBE).
Para se ter uma idéia da grandeza desse universo, basta saber que 19% dos brasileiros consomem bebidas alcoólicas regularmente, colocando o País entre os 25 maiores consumidores desse tipo de produto no mundo. E o mercado é promissor: segundo estimativas, desde a década de 70, a ingestão do produto cresceu cerca de 70% no Brasil. Quando se fala em bebidas livres de álcool, os números são ainda mais impressionantes. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR) mostram que, em 1998, o mercado brasileiro de refrigerantes já era o terceiro em nível mundial, com um consumo de 11 bilhões de litros.
Como resultado desse aumento no consumo de bebidas, alcoólicas ou não, inúmeras fábricas foram abertas, levando a concorrência do setor a níveis canibalísticos. Na última década, a indústria de bebidas tem sido marcada pela alta demanda por novidades, exigindo dos fabricantes grandes investimentos na criação e no lançamento de novos produtos, e tendo que se preocupar em equiparar preços, já que, segundo pesquisa realizada pela ADIBE, se a diferença de preço entre dois produtos de mesmo tipo for superior a 40%, o consumidor fatalmente irá optar pelo concorrente mais barato. Para Bertin, há, no entanto, uma outra necessidade para a qual só recentemente esse mercado vem despertando: a de investir no relacionamento com os distribuidores de bebidas. “Não é uma boa estratégia gastar milhões na publicidade de uma bebida e não manter um bom relacionamento com os profissionais que irão vender esse produto, pois, ainda que o cliente vá a um bar com a intenção de tomar uma bebida que conheceu através de uma propaganda, não deixará de beber uma concorrente caso o estabelecimento não tenha o produto em questão”, diz ele. “Por outro lado, mesmo que uma bebida não esteja na mídia, se o distribuidor quiser, consegue convencer o comerciante, através da amizade, a comprá-la”.
De fato não é difícil mensurar a importância desses profissionais, para o bem ou para o mal de uma campanha. Os associados da ADIBE atendem, somente no Estado de São Paulo, a 335 mil pontos de vendas de bebidas, como bares, restaurantes, adegas, mercearias, atacadistas e supermercadistas. O presidente da entidade afirma que, somente nos últimos dois anos, os fabricantes passaram a dar mais atenção à logística. “Agora já é comum entre os vendedores, ter a companhia de promotores de produtos em suas visitas a clientes”, informa, salientando que tais profissionais são essenciais pois fazem a verdadeira propaganda ‘boca a boca’ com quem decide se a marca terá ou não espaço na prateleira.
A ADIBE realizou, entre os dias 3 e 6 de novembro a 14ª Expo Bebidas & Serviços, que reuniu quase 10 mil pessoas e 86 expositores no Expo Center Norte, em São Paulo.

