Wireless

Controlando o acesso via WiMax

Para Osmar Correa, country manager da Allot Communications, os governos com projetos de cidades digitais usando a tecnologia deveriam se preocupar com a forma como o recurso é utilizado pelos cidadãos.

Já é consenso no mercado o potencial que o WiMax tem nos projetos de cidades digitais desenvolvidos em municípios do Brasil inteiro. Capaz de entregar melhor qualidade no tráfego de dados a um custo mais baixo do que sua alternativa mais popular atualmente, o 3G, a tecnologia é alvo de interesse para os governos de todas as esferas.

Apesar disso, nem tudo são flores. Como no caso das cidades digitais muitas vezes o governo funciona como provedor de acesso, pode ser considerado pela lei como co-autor em caso de má utilização do acesso (como no caso de fraudes usando a Internet e ataques hackers). Por isso há muitos especialistas que defendem o controle do uso desse recurso.

É o caso de Osmar Correa, country manager da Allot Communications. “Tenho participado de várias discussões sobre o uso do WiMax para os projetos de cidades digitais e sempre digo que é preciso restringir o acesso ao conteúdo disponível, como forma de evitar o mau uso do recurso oferecido”, conta.
 
O executivo explica que isso pode ser feito de duas formas. Na primeira, mais genérica, é controlado o conteúdo geral da rede. “Você pode bloquear usos específicos, como o acesso a serviços peer-to-peer, o compartilhamento de arquivos, o download de vídeos e músicas online e a entrada em sites pornográficos, por exemplo. Isso para todos os usuários, indistintamente”, diz Correa. A outra maneira, mais recomendada pelo especialista, é definir perfis de usuários e seu reconhecimento através de senhas. “Assim, um professor, por exemplo, poderia ter permissão para fazer downloads, enquanto os alunos poderiam só fazer pesquisas”.
 
Correa explica que esse tipo de controle é relativamente fácil de ser feito e que já é utilizado por diversas operadoras para oferecerem serviços diferenciados de Internet. “Trata-se de uma solução que entra junto com o provedor de IP e que o relaciona aos perfis de uso. O governo basicamente se torna um ISP – provedor de Internet”, afirma. Segundo o executivo, esse tipo de controle também evita que a banda daqueles que usam o recurso corretamente seja comprometida pelo uso indevido. Além disso, a ferramenta fornece um histórico de uso, facilitando o dimensionamento da rede.
 
Solução polêmica
 
Apesar de fazer sentido, em geral esse tipo de controle tem sido mau visto pelos governos. “Quando falamos em controle de uso os governos enxergam como censura. Eles alegam que a Internet é um meio que deve ser livre e acabam deixando a cargo do livre-arbítrio dos usuários. Isso é errado, porque cada usuário é uma pessoa e o governo tem que controlar uma rede que é sua. O certo seria conscientizar os cidadãos, mas isso é muito complicado”, lamenta.
 
Mesmo com essa polêmica, o gerente conta que já há cidades fazendo esse tipo de controle, como é o caso de São Luís do Maranhão. Além disso, Correa conta que a Allot já está com sua ferramenta em testes em mais duas outras cidades.
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