Segundo Abinee, instabilidade da economia pode prejudicar investimentos e consumo.

O crescimento de 1,2% da indústria de transformação brasileira em 2013 não permitiu que recuperasse o espaço perdido em 2012, quando a retração foi de 2,5%. Esse é o terceiro ano consecutivo de crescimento baixo para o setor (+0,4%, em 2011; -2,5%, em 2012 e +1,2%, em 2013), disse a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) em comunicado.
“2013 não foi um ano bom para o setor eletroeletrônico”, diz Abinee
Os resultados anunciados pelo IBGE, agregados pela associação, apontam que, em 2013, a produção física da indústria eletroeletrônica cresceu 2,1% em relação ao ano anterior, percentual que se refere à expansão de 2,4% do segmento eletrônico e 1,5% do elétrico. Em relação a 2011, a Abinee informou que houve queda de 6,4%, puxada pela retração de -9,4% do segmento eletrônico e -0,6%, do elétrico, o que mostra a dificuldade de recuperar a produção dos últimos anos, por causa da perda de competitividade.
Os problemas de valorização cambial, excessiva carga tributária e a tendência do governo de intervir na economia têm desanimado empresários e cidadãos a investir e consumir. Pelos resultados da pesquisa do IBGE, apenas alguns setores contribuíram para o crescimento da indústria, como o dos veículos automotores, que avançou 7,2%, e mantém a atividade atrelada à concessão de benefícios fiscais oferecidos pelo governo, exercendo a maior influência positiva na formação da média da indústria.
Os bons desempenhos também vieram da cadeia do agronegócio, como a produção de álcool (7,3%), máquinas e equipamentos, agrícolas (6,1%), e outros produtos químicos (2,3%), no qual se registra a produção de fertilizantes e defensivos. Mas, é preciso estar alerta a forte queda de 3,5% da produção na passagem de novembro para dezembro de 2013, pior resultado mensal desde dezembro de 2008 (-12,2%), ano em que houve o colapso provocado pela crise das subprime.
No caso do setor eletroeletrônico, a queda foi de -24,1% no mês de dezembro em relação a novembro.
“As perspectivas são sombrias para 2014. Espera-se mais um ano difícil para a indústria, com baixo crescimento, diante de juros ainda em expansão, crédito escasso e impacto sobre os custos industriais por conta da desvalorização cambial. Existe ainda a ameaça de piora do mercado de trabalho, o que já vem sendo percebido no emprego industrial”, declarou a Abinee, adicionando que no setor eletroeletrônico, o ritmo das concessões públicas e encomendas produzidas pelos leilões do setor elétrico podem trazer possibilidades de avanço na produção.

