Negócios

Crescimento da receita líquida de telecom pode não ser sustentável, avalia Teleco

A Teleco promoveu hoje (22/8) o webinar Mercado Brasileiro de Telecomunicações, onde debateu os resultados financeiros das principais operadoras e provedores do Brasil. Na apresentação de Eduardo Tude, presidente da consultoria, foi ressaltado o crescimento anual de 4,9% da receita líquida do setor de serviços de telecom durante o primeiro semestre de 2024, totalizando R$ 89,8 bilhões. Esse crescimento, no entanto, pode não ser sustentável frente aos desafios que o setor enfrenta.

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Entre eles, está o número de clientes da telefonia móvel, que teve uma adição considerável em 2024. Sem contar o segmento M2M, foram 4 milhões de novos assinantes de pós-pago em todo o setor. Tendo em vista que o número de usuários pré-pago caiu apenas 1 milhão, houve crescimento real da base em 3 milhões.

A questão é o quanto isso pode se manter nos próximos trimestres. Mesmo com o aumento no número de assinantes, o crescimento da receita líquida acompanha a inflação, como ressaltou Tude. E tem outro desafio batendo na porta, que é a reforma tributária e o provável aumento nos tributos do setor. O presidente da Teleco explicou que o custo deve ser repassado aos usuários, mas isso significa que vai ser difícil aumentar o ARPU (receita por usuário) depois.

Investimentos caem

O investimento no capex do setor teve queda de 2,7% e encerrou o semestre em R$ 15,8 bilhões, puxado principalmente pela redução da expansão da V.tal e da falta de adições de home passed (HP) da Oi. A primeira investiu 47,2% a menos do que no primeiro semestre de 2023, enquanto a Oi reduziu investimentos em 42,8% no período. A Claro também freou e diminuiu investimentos em 11,3%.

O investimento em estações radio base (ERB) cresceu 13%, o que mostra uma recuperação nos índices após quedas em 2022 e 2023, resultado da aquisição da Oi Móvel e da desativação de antenas adquiridas. São 6,7 mil novas ERBs em 2024, sendo 3 mil implementadas só pela Vivo, totalizando 100 mil em todo o País.

Do total, apenas 23 mil são antenas 5G, algo que Tude destaca como ponto de atenção, assim como a falta de compartilhamento de infraestrutura. Mas o número de antenas pode não aumentar, já que as conexões 5G não estão ocorrendo na velocidade esperada. A curva de crescimento dos celulares 5G deixou de superar a do 4G quando se comparam os 34 primeiros meses das duas tecnologias e, atualmente, são 29 milhões de usuários 5G – cerca de 5 milhões a menos do 4G na mesma comparação.

Tude diz que isso é reflexo da perda de renda do brasileiro porque, segundo ele, na hora de comprar um smartphone novo, a preferência do consumidor é por recursos de processamento, câmera e armazenamento, e não a tecnologia de rede, algo que encarece o produto. “Só 5% colocam o 5G como prioridade. Enquanto preço não cai, isso não deve mudar”, diz.

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