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Crescimento no Brasil incentiva Qlik a apostar em presença local e novo country manager

Empresa estabelece base no País com a abertura de um escritório e a contratação de Marcelo Rezende como líder.

Marcelo Rezende, country manager da Qlik (foto: divulgação Qlik).

A Qlik, especializada em Business Inteligence (BI) e análise de dados, está presente no Brasil desde 2005 via representantes comerciais e parceiros, mas, com o crescimento da operação no País, que alcançou índices de 30% nos últimos dois anos, viu a necessidade de investir em um escritório próprio, inaugurado há cerca de dez meses em São Paulo, e a presença de uma liderança nacional.

Com 20 anos de experiência no mercado de tecnologia, Marcelo Rezende, country manager da Qlik para o Brasil, será responsável pela gestão da empresa e da equipe local, composta por cerca de 25 pessoas. “Venho com a missão de dar continuidade ao trabalho da companhia no País, que é o maior gerador de receita da Qlik na América Latina, e expandir nossa atuação fora do eixo Rio–São Paulo”, diz o executivo.

Confira a entrevista concedida com exclusividade ao Portal IPNews, que também contou com a participação de Caique Zaniolo, gerente sênior de Arquitetura de Solução da Qlik para a América Latina.

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IPNEWS – Quais são os motivadores para a Qlik investir no Brasil?

Marcelo Rezende: A Qlik tem um portfólio de soluções para todo o mercado e como não focamos em um único setor, vemos o país como uma oportunidade em diferentes segmentos. Vejo muita necessidade de BI, principalmente fora do eixo Rio–São Paulo, então tem muito espaço para crescimento em outras regiões do País. A área de governo também tem muita coisa relacionada a transparência que pode ser explorada, já que possuímos a expertise em depurar os dados e levar a informação para a população.

A empresa vem demonstrando continuidade ao trabalho e investindo no Brasil como uma marca estratégica. O fato de abrir um escritório local no Brasil há menos de um ano e colocar um country manager durante uma crise política e econômica, é prova de que a empresa acredita no País.

IPNEWS – Por que há esse espaço no mercado brasileiro?

MR: As empresas brasileiras não são acostumadas a tomarem decisões baseadas em fatos, diferente do americano, que é tudo estatística, tudo é análise. Utilizar o dado como informação não faz parte da nossa cultura e eu acho que tem muito a crescer e, com a popularização do big data, fica cada vez maior a necessidade de uma ferramenta para utilizar os dados. Esse é o papel da Qlik, transformar os dados em informação para que os diretores tomem a decisão.

Caique Zaniolo, gerente sênior de Arquitetura de Solução da Qlik para América Latina (foto: divulgação Qlik).

Caique Zaniolo: Todo consumidor tem acesso a informação na palma da sua mão através do smartphone. Se para escolher um restaurante uma pessoa pode consultar as referências na Internet, por que um executivo tem que sofrer com base de dados complicadas para tomar suas decisões? Acreditando nisso e colocando o ser humano no centro da tomada, a Qlik tem mudado o mercado continuamente.

A nossa plataforma é um diferencial para o momento atual do País. As empresas tem que utilizar máximo dos recursos para sobreviver em uma crise econômica e a nossa plataforma é baseada nessa premissa. Os ganhos que conseguimos colocar na nossa base de clientes são muito importantes. E temos notado uma crescente procura do mercado pela nossa plataforma.

IPNEWS – Qual a estratégia para o Brasil?

MR: É de consolidação e crescimento da marca, fazendo com que o cliente veja que somos o líder do nosso segmento. Fortalecer canais, já que atuamos mais com venda indireta, aumentar a capilaridade e estruturar o programa de canais para que a gente possa crescer consistentemente. Com isso, o resto é acesso comercial e atividade da empresa, mostrando o que fazemos, porque tenho certeza que nossas soluções conseguem trazer informação para o cliente independente da área de negócio em que ele precise.

IPNEWS – E a estratégia de inovação?

CZ: Em termos de tecnologia, a Qlik está se estabelecendo como provedor de nuvem híbrida. Já temos uma oferta de cloud voltada para empresas com pequena quantidade de usuários. Mas o que temos compartilhado com nossos clientes é uma opção em que ele possa escolher entre instalar na nuvem ou na própria infraestrutura, onde ele possa ter acesso à informação dos dados onde quer que eles estejam. A intenção é que o cliente não precise fazer um investimento gigantesco em infraestrutura para utilizar nossa solução.

Além da nuvem, vemos potencial no big data. Cada vez mais se captura e armazena dados, mas não se olha para eles. Queremos que essa tecnologia tenha um retorno mais rápido para as empresas e temos trabalhado na indexação de big data, facilitando a pesquisa também nesse mundo.

A Internet das Coisas também é algo com que trabalhamos. Em uma secretaria de Fazenda de um Estado, por exemplo, usamos uma base de dados de 35 bilhões de registros, que é um número considerado de grande porte. Nesse caso, o ganho foi a visibilidade, permitindo ver discrepâncias na coleta de impostos, causadas por fraudes. Para se ter ideia do nível de dados que utilizamos, chegamos ao ponto de capturar informações de cupons fiscais de supermercados.

IPNEWS – Como vocês capturam os dados?

CZ: Nós vamos até o dado. O cliente não precisa nos encaminhar os dados, nossa solução busca na fonte. Trabalhamos com dados estruturados ou não, juntamos todas as fontes dos clientes e usamos o modelo associativo, que é o coração do nosso produto. Com um motor de indexação de dados, temos acessos a diversas bases de dados e trabalha em memória no ambiente de servidores, permitindo uma flexibilidade de acesso à informação sem a necessidade que alguém faça uma criação de hierarquia de informações.

Fazendo uma analogia, trabalhamos como um cérebro. Quando você perde a chave do seu carro, não há uma hierarquia de como procurar, você faz modelos associativos. Primeira coisa é pensar qual a última vez que usou a chave, procurando nos lugares em que pode ter deixado. Não há uma hierarquia e sim uma associação com similaridades feitas automaticamente pelo seu cérebro.

IPNEWS – Como está estruturado o programa de canais no Brasil?

MR: Nós seguimos o modelo corporativo tradicional. Deve sair uma segunda versão no segundo semestre, mas sem muitas mudanças significativas. O programa é estável e já funcionava mesmo antes de montarmos um escritório. Hoje temos três distribuidores e cerca de 180 canais. Há também um programa de “solutions providers” voltados aos parceiros de nicho.

IPNEWS – Há um setor que vocês pretendem atacar?

MR: Temos pessoas dentro da Qlik especializadas em cada segmento fornecendo informação para qualquer time comercial de nossos canais. Mas não posso comentar sobre os segmentos que pretendemos atacar. O que posso lhe dizer é que governo, financeiro e farmacêutico são os setores que mais respondem no nosso faturamento.

IPNEWS – Você comentou sobre a área de governo, como funciona?

MR: O governo é impulsionado pela transparência nas informações. Hoje já é possível disponibilizar informações para o cidadão sobre onde o governo gastou dinheiro, em que tipo de produtos, que é o gasto do nosso dinheiro. E, mesmo nesse período em que o governo está reduzindo custos, é possível oferecer nossa solução, pois trabalhamos em cima da melhora da operação.

Nessa área, temos focado mais no nível federal, devido ao valor dos contratos e a complexidade dos dados. Muitas vezes ele trabalha em múltiplas bases de informações, precisando conversar com fontes de Estados e municípios para trazer informações.

IPNEWS – Você vem com alguma missão como country manager?

MR: Minha missão é dar continuidade ao trabalho. Pelo crescimento natural que houve é que o responsável pela América Latina, Eduardo Kfuri, não conseguia consolidar as duas funções e precisava de alguém aqui para estar focado no Brasil. Não vim causar uma disrupção no modelo da empresa, que vem dando certo, mas sim mantê-lo e buscar formas de melhorar a participação de mercado e expandir o mercado.

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