Análise Setorial

Crise não atinge indústria médico-hospitalar e odontológica

Resultados negativos poderão ser sentidos a médio prazo, como efeitos da alta do dólar e da redução dos recursos públicos, alerta presidente da Abimo.


Prestadores de serviços e produtores de bens essenciais fazem parte de um grupo econômico que ainda não sentiu os efeitos da crise. Dentro desse segmento encontra-se a indústria brasileira médico-hospitalar e odontológica. O setor registrou um faturamento de US$ 4 bilhões em 2008, representando um crescimento de quase 5% em relação a 2007. Apesar da crise econômica mundial, a cadeia mantém o ritmo dos negócios neste primeiro semestre de 2009.

Segundo Franco Pallamolla, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), os níveis de demanda das esferas pública e privada continuam altos, principalmente nos hospitais. "O setor, portanto, sustenta seu ritmo e ainda conta com a injeção de novos investimentos estrangeiros na produção do país", afirma.

Mesmo a alta do dólar, um dos impactos da crise, a cotação da moeda não teve impacto negativo para o setor. Ao contrário, a valorização do câmbio tem favorecido as empresas exportadoras. Em contrapartida, os importadores de insumos e equipamentos sentiram o encarecimento dos produtos. "Com o acirramento da crise, esse repasse no valor final dos produtos tende a pressionar as relações entre fornecedores, hospitais e operadoras", explica Pallamolla.

A queda da arrecadação tributária também poderá impactar na indústria médico-hospitalar e odontológica. "A crise deverá caminhar do interior para os grandes centros. Sem recursos, muitos municípios são obrigados a reverem seus orçamentos, o que, com certeza, atingirá a saúde pública", prevê o presidente da Abimo.
 

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