O mercado global de equipamentos de transporte óptico cresceu 10% em 2025, puxado principalmente pela expansão das interconexões de data centers (DCI). Segundo relatório da Dell’Oro Group, a receita proveniente de compras diretas de equipamentos WDM para DCI avançou quase 40% no período.
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De acordo com Jimmy Yu, vice-presidente da consultoria, o salto foi impulsionado pela forte demanda dos provedores de nuvem. As compras diretas feitas por esses players cresceram cerca de 50% em 2025, com maior aquisição de transponders WDM, ópticas ZR e sistemas de linha óptica (OLS). Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento, com expansão de arquiteturas DCI em escala para suportar data centers voltados à inteligência artificial.
O levantamento aponta ainda que tanto os sistemas tradicionais de transporte óptico quanto as soluções IPoDWDM ZR/ZR+ contribuíram para o desempenho positivo. O mercado de WDM desagregado superou expectativas e avançou aproximadamente 40% no ano.
No ranking global de fornecedores por participação de receita em 2025 aparecem Huawei, Ciena, Nokia, ZTE e Cisco. No segmento específico de DCI, Ciena, Nokia e Cisco lideraram, com forte concentração de receitas na América do Norte.
Brasil acompanha ciclo global com foco em capacidade e DCI
No Brasil, o movimento acompanha a tendência internacional, mas com vetores próprios. O mercado brasileiro de transponders WDM — especialmente DWDM — vive um momento de expansão impulsionado pela necessidade de maior capacidade nas redes de ISPs regionais, operadoras, data centers e infraestrutura 5G.
Os transponders são peças centrais na conversão de sinais ópticos e na maximização do uso da fibra, permitindo múltiplas transmissões simultâneas em altas velocidades — de 100G e 400G até 800G e além. Entre 2024 e 2025, provedores e operadoras intensificaram a adoção de soluções de 100 Gbps a 800 Gbps para dar conta do crescimento exponencial do tráfego.
A Padtec desponta como player estratégico nesse cenário, com fabricação nacional de sistemas DWDM e novas gerações de transponders que alcançam até 2,4 Tb/s de capacidade. A produção local facilita acesso a linhas de financiamento, como as do BNDES, fortalecendo especialmente provedores regionais.
Além da Padtec, fornecedores como Huawei frequentemente por meio de integradores como a Agora Telecom e a Ciena ampliam presença no mercado nacional com soluções voltadas à interconexão de data centers e redes metro/long haul.
As aplicações são diversas: iluminação de novas rotas ópticas, expansão de backbone de ISPs e, principalmente, projetos de DCI para conectividade de altíssima velocidade entre data centers. A busca por flexibilidade, confiabilidade e redução de custos operacionais (OPEX) tem impulsionado a adoção de arquiteturas desagregadas e modelos de “Alien Wavelength”, que permitem aproveitar fibras já implantadas e ampliar capacidade sem grandes intervenções físicas.
As projeções indicam crescimento robusto do mercado de WDM passivo no Brasil, com CAGR estimado em torno de 9% entre 2023 e 2028, puxado pela consolidação do 5G, expansão de FTTH e avanço dos ecossistemas de data centers.
Se globalmente a DCI se consolida como pilar estrutural da infraestrutura para nuvem e IA, no Brasil ela também passa a ocupar papel estratégico — não apenas como suporte ao crescimento do tráfego, mas como base para a digitalização acelerada de empresas e serviços públicos.

