Estudo Saúde Respiratória e do Pulmão revela que a população tem muitas dúvidas na hora de procurar um médico diante de doenças respiratórias importantes.
A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), preocupada com a falta de informação da população em relação à saúde respiratória, encomendou junto ao Instituto Datafolha, pesquisa inédita no País. Denominado Saúde Respiratória e do Pulmão, o estudo comprova o desconhecimento sobre os principais males que atingem a saúde respiratória, e também quanto aos médicos que devem ser procurados em caso de asma, pneumonia, gripe, tuberculose e até mesmo câncer de pulmão.
Esta realidade coloca os médicos pneumologistas em estado de alerta, pois o atraso em diagnósticos e tratamentos destes males pode evoluir rapidamente para quadros bem mais graves, levando inclusive à morte.
“O pneumologista é médico especialista em saúde respiratória. Doenças que afetam todo o sistema respiratório, que vai do nariz aos pulmões, são de sua alçada e devem ser encaminhadas para sua avaliação”, explica a dra. Jussara Fiterman, presidente da SBPT. “As doenças que mais frequentemente atingem as vias respiratórias são asma, rinite, tuberculose, gripe e resfriado, câncer de pulmão, pneumonia, além de outras menos conhecidas, como a fibrose cística, DPOC ou hipertensão pulmonar”, completa.
Para se ter uma ideia, o desconhecimento existe inclusive em casos de doenças graves, como o câncer de pulmão. Nada menos que 49% dos entrevistados que conhecem o mal não sabem qual especialista procurar em caso de suspeita. Dos demais, 23% iriam a um clínico geral, 14% ao pneumologista, 11% ao oncologista, 1% ao infectologista. Ainda, 1% referiu procurar um ‘médico de pulmão’, e outro 1% iria a um ‘especialista em câncer’.
Também quase metade dos entrevistados que conhece a asma não sabe o médico especialista nesta área (49%). E a doença, crônica, atinge até 10% da população brasileira e causa cerca de três mil óbitos notificados por ano. O pneumologista não apenas deve ser consultado, mas é o médico indicado para fazer o acompanhamento destes pacientes. Como a asma não tem cura, os pacientes precisam deste tratamento, realizado de maneira preventiva e prolongada, para usufruirem de qualidade de vida e não serem pegos de surpresa com crises e necessidade de hospitalização.
Se tratando da asma, 28% iriam a um clínico geral, 16% ao pneumologista, 4% ao alergista e 2% otorrinolaringologista. Também foram citados infectologista (1%), oncologista (1%) e especialista, médico de pulmão (1%).
O pneumologista foi o médico mais lembrado apenas no caso de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Dos 535 entrevistados que afirmaram conhecer a doença, 29% procurariam este especialista caso fossem portadores da doença. Em seguida, foram listados clínico geral (21%), médico de pulmão (2%), infectologista (1%), Otorrinolaringologista (1%) e oncologista (1%). Mas 45% não souberam responder.
O índice de respostas ‘não sabe’ foi na maioria das vezes superior à citação de qualquer especialista. Dos entrevistados que afirmaram conhecer cada uma das patologias em pergunta prévia, 40% não faziam ideia de qual médico procurar em caso de pneumonia e 47% para a bronquite. No caso da tuberculose, que faz 85 mil novos casos por ano no país e seis mil mortes, este número sobe para 48%.
A gripe e resfriado foram as doenças com menor índice de dúvida quanto ao médico a ser procurado. Ainda assim, 29%, ou aproximadamente um terço, não souberam dizer a qual recorreriam. Dos 2213 entrevistados que afirmaram conhecer as doenças, 59% recorreriam a um clínico geral, 5% ao pneumologista, 1% ao infectologista, 1% ao alergista e 1% otorrinolaringologista. Ainda houve 3% que não procurariam nenhum médico no caso destas doenças.
As idas ao pneumologista
O estudo também constatou que dos 2242 entrevistados, todos eles com 16 anos de idade ou mais, somente 16% já passaram por consulta com um médico pneumologista. Os principais motivos foram dor no pulmão/peito, tosse persistente, falta de ar, diagnóstico de pneumonia, febre e crise de asma. Alguns também relataram ter recebido a indicação de médico de outra especialidade ou que a consulta fazia parte de check up anual ou exame periódico do trabalho. A procura por um pneumologista é mais expressiva entre a população com 60 anos ou mais, entre os pertencentes às classes A e B, e entre os com nível escolar superior.

