Como o Business Intelligence exige conhecimentos multidisciplinares, que aliam TI a gestão e negócios, o gargalo de 100 mil profissionais em TI também afeta o setor.
O desemprego no Brasil é preocupante. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego está em 7,6%, sendo que o número de pessoas sem trabalho ou procurando emprego soma 1,8 milhão. Em contraste com esse cenário, existe no Brasil uma área com déficit de cerca de 100 mil profissionais capacitados para trabalhar. "Estamos falando de Tecnologia da Informação, que possui números impressionantes quando comparados a outros segmentos", explica Wagner Sanchez, diretor acadêmico da Faculdade Módulo, bacharel e mestre em TI.
Apesar do aumento do número de faculdades, o mercado brasileiro ainda sofre com a falta de profissionais especializados na área de tecnologia. Segundo pesquisa da International Data Corporation (IDC), as pequenas e médias empresas investirão, este ano, mais de US$ 13 bilhões em Tecnologia da Informação, tendo como conseqüência o aumento ainda maior de vagas em TI.
Esse gargalo já se reflete em outras áreas que aliam o TI ao negócio, como a área de Business Intelligence. “Há uma falta de profissionais devidamente qualificados para a área de BI. Nesse momento, as empresas estão com necessidades de informação cada vez maiores, o que gera um aumento da demanda de projetos e de vagas para profissionais da área”, defende Walter Ruiz Jr., diretor de professional services da Opus Software.
Para Sandra Puga, professora e coordenadora do curso de pós-graduação em BI do IBTA, “como na área de BI é necessária a experiência e conhecimentos multidisciplinares, como em TI, negócios, e gestão, o mercado sofre com a falta de profissionais qualificados”, afirma.
A opinião é endossada por José V. Leão, gerente de soluções BPO da Stefanini IT Solutions e professor de Introdução a Business Intelligence na pós-graduação do IBTA: “atualmente os projetos de Business Intelligence estão muito focados na utilização de ferramentas para BI, porém Business Intelligence é mais que isso. Os profissionais devem ser preparados para apoiarem suas empresas a gerar informação para a tomada de decisão. Assim, o conhecimento sobre vantagem competitiva e negócios torna-se imperativo para a condução destes projetos”, declara.
E, na contramão das perspectivas cada vez maiores de crescimento do setor, ainda são poucos os cursos de graduação que enfocam a área de BI, formando profissionais capacitados para o setor. “Sem dúvida, a falta de formação formal atrapalha bastante o progresso da carreira na área, pois muitas vezes os profissionais que chegam ao mercado precisam aprender por tentativa e erro ou ainda com muitas leituras e cursos dispersos”, explica Ruiz Jr.
A boa notícia é a recente iniciativa de algumas faculdades em oferecer programas de pós-graduação na área, um importante passo tanto para atender aos profissionais, quanto para suprir as necessidades do mercado.
Ruiz Jr. conta que algumas da melhores faculdades de negócio oferecem excelentes opções, como por exemplo a FIA (Fundação Instituto de Administração), a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e o IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais). “Nesses casos, o enfoque principal é o negócio, com uma visão das tecnologias associadas”, diz o especialista. Por outro lado, Ruiz Jr. explica que “algumas das melhores escolas de tecnologia do País, como as faculdade IBTA e Oswaldo Cruz, oferecem cursos com foco principal em tecnologia, porém com um forte enfoque em negócios, preparando assim um profissional que de fato irá agregar valor na construção das soluções”.

