Na semana passada, o presidente do Federal Reserve (FED), Jerome Powell, disse que pode imaginar o retorno de uma era onde múltiplas moedas seriam usadas nos Estados Unidos. Durante seu o depoimento ao comitê bancário do Senado norte-americano sobre o lançamento da Libra, criptomoeda do Facebook, só poderia avançar caso abordasse preocupações sobre privacidade, lavagem de dinheiro e proteção ao consumidor.
Powell, no entanto, foi favorável às criptomoedas durante seu discurso e citou o Bitcoin como uma alternativa ao ouro em termos de reserva de valor. Ele já afirmou no passado que os Estados Unidos não deveriam retornar ao padrão ouro. Alguns tomaram a declaração como se referindo a uma chamada para “largar ouro, comprar bitcoin”.
As declarações geraram reações até do presidente norte-americano Donald Trump. No Twitter, ele disse que não é “fã das criptomoedas, que não são dinheiro e cujo valor é altamente volátil e baseado no ar”. Para ele, as criptomoedas podem facilitar condutas ilegais, incluindo tráfico de drogas.
Em seguida, Trump fez outro tweet sobre o tema: “Nós temos apenas uma moeda real nos EUA, e é mais forte do que nunca, confiável e confiável. É de longe a moeda mais dominante em qualquer parte do mundo, e será sempre assim. É chamado o dólar dos Estados Unidos!”.
O especialista em criptomoedas, Maicon Santos, explica que a fala do presidente do FED sobre o Bitcoin ser uma alternativa ao ouro foi relevante e explica a reação de Trump. “Donald Trump postou imediatamente tentando amenizar a declaração de Powell, para evitar uma desvalorização da moeda americana”, afirma.
“Mas a verdade é que a popularidade do Bitcoin vem exatamente da anti-fragilidade e características opostas ao dólar, como por exemplo sua emissão total controlada de no máximo 21 milhões de bitcoins comparada a emissão descontrolada e sempre que necessária do dólar pelo governo”, explica.
Para Santos, as declarações indicam mais do que nunca a importância das criptomoedas para a economia norte-americana e mundial. Ele concorda que Bitcoin não seja dinheiro, mas lembra que o ativo pode ser usado da forma que as pessoas quiserem, e isso enfraqueceria diretamente o dólar entre outras moedas.
“O Bitcoin vem se mostrando cada vez mais forte quando falamos de uma moeda global segura e eficiente para fazer transações rápidas, com baixo custo e de pessoa para pessoa sem intermediários. Supondo que Donald Trump saiba disso, será que ele acredita realmente nas palavras que escreveu na rede social, ou está apenas tentando amenizar a situação defendendo sua própria moeda?”, questiona.
Mercado ilegal de Bitcoin pode bater recorde
De acordo com um relatório recente da Chainalysis, o uso de Bitcoin em mercados ilegais pode bater recorde este ano, com gastos acima de US$ 1 bilhão. A estimativa da pesquisa é um indicativo da necessidade para que exchanges do setor desenvolvam políticas refinadas de KYC (da sigla em inglês, “know your costumer”, ou “conheça seu cliente”).

