Em entrevista do Portal IPNews, durante o Futurecom 2025, o presidente da Associação NEO, Rodrigo Schuch, destacou os principais desafios e oportunidades que moldarão o mercado de telecomunicações e, em especial, o futuro dos provedores de pequeno porte (PPPs) no Brasil.
CONTEÚDO RELACIONADO – TIP Brasil aposta em MVNO e 5G como tendência para provedores regionais
Segundo Schuch, a luta contra a informalidade e a criminalidade digital é uma das pautas centrais da associação. Ele citou dados que apontam a existência de cerca de 13 milhões de acessos informais no país, prática que gera concorrência desleal e expõe consumidores ao chamado “cangaço digital”, com o sequestro de redes por grupos criminosos. “Se acertarmos essa questão, conseguimos também avançar em outras frentes”, afirma.
Outro ponto crítico para os ISPs continua sendo o uso de postes. O custo com esse recurso é hoje o segundo maior item de despesa para muitas empresas do setor. A Associação NEO vem buscando consenso com grandes e pequenas operadoras, além das distribuidoras de energia, para chegar a uma solução que reduza o peso financeiro e permita expansão de rede de forma sustentável.
Regulação e mobilidade
Entre as vitórias recentes destacadas por Schuch está a manutenção da definição de PPPs (Prestadora de Pequeno Porte) no novo Plano Geral de Meta de Competição (PGMC), que preserva benefícios regulatórios para empresas com até 5% de participação de mercado. Outro avanço foi a continuidade do roaming a preços de custo, fundamental para a competitividade das pequenas operações móveis.
No entanto, o modelo de MVNOs (operadoras móveis virtuais) ainda é visto como um desafio. Para a Associação NEO, esse formato precisa ser fortalecido para ampliar a concorrência e garantir mais ofertas e qualidade ao consumidor.
Novas regras e o consumidor
O novo Regulamento Geral de Consumidores (RGC) e o Regulamento de Uso de Espectro (RUI) também trarão impactos importantes em 2026. Os ISPs terão que investir em processos, sistemas e atendimento para se adequar, mas Schuch considera que, no fim, quem ganha é o cliente. Já o RUI abre espaço para que pequenas empresas utilizem espectro ocioso em regiões onde as grandes operadoras não oferecem cobertura.
Reforma tributária e impacto direto no bolso do consumidor
A Reforma Tributária, que começa a vigorar em 2026, também deve mudar o cenário. A inclusão do setor de telecomunicações no mecanismo de cashback pode beneficiar 95 milhões de brasileiros do Cadastro Único, que terão a possibilidade de obter devolução de impostos pagos sobre serviços de internet. Para Schuch, essa medida, além de reduzir custos para o consumidor, deve estimular a formalização no setor.
Data centers regionais e a oportunidade da IA
Na visão da NEO, um dos maiores potenciais para os próximos anos está no aproveitamento da infraestrutura já existente. O Brasil possui cerca de 90 mil POPs espalhados pelo território nacional. A associação projeta que até 5% deles possam ser adaptados como data centers edge, criando o maior cinturão descentralizado do mundo. Essa estratégia seria fundamental para suportar aplicações de inteligência artificial, que exigem processamento próximo ao usuário.
Segurança cibernética no centro das discussões
Por fim, Schuch ressaltou a crescente preocupação com a cibersegurança, lembrando que ataques contra as redes brasileiras são diários e partem tanto de fora quanto de dentro do país. A Associação NEO pretende atuar em conjunto com a Anatel para alinhar as novas regras de segurança digital às necessidades práticas das empresas.
“Nosso objetivo é que setor, regulador e governo trabalhem juntos para garantir o que é mais importante: entregar serviços de qualidade ao consumidor”, conclui. Assista à integra da entrevista.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X

