Segurança

Dia Internacional da Proteção de Dados: os desafios de proteção à privacidade

A data é uma oportunidade para conscientizar as pessoas sobre a importância da proteção e privacidade dos dados.
Brasil é o maior alvo de ataques cibernéticos na América Latina.

 

O Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado em 28 de janeiro, foi instituído em 2006 pelo Conselho da Europa com o propósito de promover a conscientização sobre a importância da privacidade e defender a proteção dos dados pessoais. A escolha do dia 28 de janeiro como baseia-se na Convenção 108 do Conselho da Europa, estabelecida em 1981, que busca assegurar “a proteção das pessoas no que diz respeito ao tratamento automatizado de dados pessoais”.

A data é uma oportunidade para conscientizar as pessoas sobre a importância da proteção e privacidade dos dados, promover boas práticas de proteção de informações para organizações, empresas e especialistas em todo o mundo, visando educar e informar o público sobre questões relacionadas à privacidade na era digital.

Segundo o relatório Global DDoS Threat Intelligence, o Brasil é o principal alvo de ciberataques na América Latina e esta é a realidade da região não só hoje, mas há quase uma década.
“Com a crescente ameaça de violações de dados e a intensificação das regulamentações de proteção de dados, as empresas enfrentam obstáculos cada vez mais significativos para proteger as informações sensíveis de clientes e parceiros. A abordagem estratégica para enfrentar esses desafios inclui a implementação eficaz de soluções avançadas em nuvem e medidas robustas de segurança”, ressalta Leandro Stacheski, Head Customer & Cloud Managed Services da Keyrus, consultoria internacional especialista em Inteligência de Dados e Transformação Digital.

Segundo o Gartner, os gastos globais com nuvem pública chegarão a US$ 679 bi em 2024, impulsionados pelas necessidades empresariais e tecnologias emergentes, incluindo GenAI.
Privacidade de dados dos clientes: quais são os principais desafios?

Para o especialista em dados e inovação e professor de MBA da FGV, Kenneth Corrêa, um dos principais desafios é a dificuldade em compreender e controlar a quantidade de dados pessoais que são compartilhados online. “Muitas pessoas navegam na internet sem o conhecimento pleno de como suas informações estão sendo utilizadas ou a quem estão sendo disponibilizadas. A falta de transparência por parte de algumas empresas e a complexidade dos termos de serviço dificultam que os usuários façam escolhas informadas a respeito de sua privacidade”, ressalta.

Além disso, ao coletar dados sem obter consentimento explícito e informado, a empresa está desconsiderando os direitos fundamentais de privacidade de seus usuários. “Os riscos são variados: desde o uso indevido de informações pessoais para publicidade direcionada excessivamente intrusiva até o potencial de vazamento de dados sensíveis em caso de falhas de segurança. Isso pode levar a consequências graves como fraudes, roubo de identidade e perda financeira”, destaca o professor da FGV. Kenneth ressalta que é imprescindível que as empresas adotem práticas de coleta de dados responsáveis, transparentes e seguras, respeitando os regulamentos de proteção de dados, para minimizar esses riscos e proteger a privacidade dos indivíduos.

Atualmente, os principais desafios enfrentados pelas empresas no campo da proteção e privacidade de dados incluem a necessidade de adaptação às regulamentações em constante evolução, a proteção contra ameaças cibernéticas sofisticadas e a gestão eficiente de dados pessoais sensíveis.
De acordo com Leandro Stacheski, da Keyrus, “A proteção dos dados é uma prioridade absoluta nos dias de hoje. As empresas precisam adotar uma abordagem proativa, investindo em soluções de Cloud e Segurança que garantam a conformidade com regulamentações e fortaleçam as defesas contra ciberataques. A melhoria na área de privacidade de dados requer uma visão abrangente, abordando não apenas a conformidade, mas também a cultura organizacional e a conscientização dos colaboradores. A educação e o treinamento contínuo são elementos-chave para fortalecer a postura de segurança das empresas”.

Leandro completa. “Os dados das plataformas de dados em cloud têm o potencial de reformular a maneira como eles estão sendo convertidos em valor, ao mesmo tempo em que levam a escalabilidade e a flexibilidade a um novo patamar. É preciso proteger os ativos de dados e garantir que eles permaneçam protegidos e confidenciais”.

Privacidade e direito dos consumidores

Como pontua Kenneth Corrêa, os consumidores têm vários direitos garantidos por leis de proteção de dados como a LGPD no Brasil e a GDPR na Europa, incluindo o direito de saber quais dados pessoais são coletados e como são processados; de acessar e obter uma cópia desses dados; de retificar informações incorretas; de deletar seus dados (“direito ao esquecimento”); de limitar o processamento de seus dados; à portabilidade de dados; e o direito de se opor ao processamento de seus dados, particularmente para fins de marketing.

“Para facilitar o exercício desses direitos, as empresas devem implementar procedimentos claros e acessíveis que permitam aos consumidores fazer solicitações relativas aos seus dados facilmente. Isso pode incluir interfaces de usuário intuitivas, como painéis de controle de privacidade, onde os usuários podem gerenciar suas preferências e solicitar alterações ou a exclusão de seus dados. Também é fundamental oferecer canais de atendimento ao cliente dedicados a tratar questões de privacidade, bem como prover treinamentos adequados para a equipe garantir respostas rápidas e eficientes às solicitações dos consumidores. Ao prover esses recursos e manter um diálogo aberto e transparente, as empresas demonstram seu respeito pelos direitos de privacidade dos consumidores e reforçam a confiança nessa relação”, diz o especialista.

Como o consumidor pode se proteger?

Kenneth destaca que existem diversas soluções tecnológicas projetadas para empoderar os indivíduos no controle de seus próprios dados pessoais. “Ferramentas de gerenciamento de privacidade, por exemplo, permitem que os usuários vejam e controlem as informações que compartilham com sites e aplicativos. Painéis de controle de privacidade são outro exemplo, onde empresas fornecem um espaço centralizado para que os usuários possam ajustar as configurações de privacidade e decidir quais dados serão coletados e como serão utilizados.”

Alguns navegadores de internet e extensões dedicados à privacidade, como o Firefox e o DuckDuckGo, bloqueiam rastreadores e anúncios indesejados, além de oferecer funções de busca que não rastreiam o histórico dos usuários. VPNs (redes privadas virtuais) também são populares para proteger a identidade e a localização online dos usuários criptografando seu tráfego de internet. Ferramentas de autenticação de dois fatores (2FA) ajudam a proteger contas online, garantindo que somente o proprietário dos dados possa acessá-las.

“Com o avanço da tecnologia, até mesmo soluções baseadas em blockchain estão surgindo, permitindo que os usuários tenham uma maior gerência sobre a acessibilidade e distribuição de seus dados pessoais, mantendo um registro transparente e incorruptível das transações. Todas essas ferramentas e tecnologias proporcionam maior poder e controle nas mãos dos usuários, aumentando tanto a sua autonomia quanto a sua proteção no ambiente digital”, conclui Kenneth Corrêa.

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