A computação de borda (edge computing) e a análise em tempo real estão revolucionando a forma como serviços são entregues ao consumidor, especialmente em setores digitais que demandam respostas instantâneas. Essas tecnologias deixaram de ser tendências para se tornarem estratégicas, conforme discutido no painel “Na ponta dos dados: como Edge e Real-Time Analytics impulsionam os serviços financeiros”, realizado no FEBRABAN TECH 2025.
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O debate reuniu especialistas que apresentaram dados e cases práticos sobre os desafios e oportunidades da integração entre processamento local e análise imediata. Luciano Saboia, diretor de telecomunicações e serviços financeiros da IDC Brasil, destaca que a América Latina deve movimentar US$ 7,9 bilhões em edge computing em 2025, com crescimento anual de 17,8%. O setor financeiro está entre os principais impulsionadores dessa expansão. “Trazer o processamento para mais perto do usuário traz ganhos em cibersegurança, eficiência e inteligência artificial em tempo real”, afirma.
No Banco do Brasil, Pedro Bramont, diretor de inovação, aponta exemplos reais, como o uso de análise de sentimento em tempo real na central de atendimento. “Algoritmos identificam o tom da conversa e autorizam descontos automaticamente, garantindo agilidade e personalização”, explica. A instituição também usa edge computing para cálculo de frete e exibição de preços em seu marketplace, além da detecção localizada de ransomware.
Na Unico, especialista em identidade digital, Gabriela Dias, diretora de produto, reforça que a borda é crucial para a verificação de identidade diretamente no dispositivo do usuário. “Coletamos metadados que validam a autenticidade em tempo real, garantindo uma autenticação contínua e silenciosa”, destaca.
A Amazon Web Services (AWS) aposta em computação distribuída para acelerar decisões. Tatiana Orofino, gerente de negócios, cita a Nasdaq como exemplo, onde a redução da latência em operações de trading é fundamental. “Levamos a nuvem para perto do cliente, mantendo segurança e integridade dos dados”, diz.
Para o consumidor final, a tecnologia deve ser invisível, funcionando sem interrupções. “Se o cliente não percebe, é porque está funcionando bem”, resume Saboia. A hiperpersonalização, segundo Orofino, é o diferencial: “Entender o momento certo, canal e mensagem faz o cliente se sentir único.”
Ainda assim, há desafios: latência em áreas com infraestrutura limitada, custos de serviços na nuvem, regulação de dados distribuídos e adaptação de sistemas legados. Bramont alerta para a falta de profissionais quantitativos e a necessidade de revisão do perímetro de rede, hoje estendido a múltiplos dispositivos e aplicativos, que demandam autenticações e monitoramento diferentes.
Gabriela Dias destaca a complexidade do controle descentralizado. “Com a borda, perdemos o controle central, e parceiros de nuvem precisam se adaptar a esse ambiente fragmentado.”
Apesar dos obstáculos, os especialistas concordam: edge computing e análise em tempo real são fundamentais para o futuro dos serviços ágeis e personalizados.
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