Futurecom 2022

Em qual estágio o Brasil se encontra no segmento de cabos submarinos?

Hoje em dia, com a grande demanda de conectividade global, a infraestrutura de cabos submarinos é fundamental para as telecomunicações, sendo responsável por mais de 90% da transmissão de dados entre os países e continentes.

Além de empresas de telecomunicações, vários provedores de conteúdo se utilizam de cabos submarinos para o transporte de dados.

Durante o Futurecom 2022, o Painel “Cabos submarinos e fibra ótica para todos: a disrupção é possível?” discutiu o crescimento do Brasil no setor, os principais desafios e as oportunidades.

De 1996 a 2014, existiam 5 cabos submarinos apenas no país. De 2014 até 2022, foram construídos mais 10, totalizando 15. Um crescimento de 200% em 8 anos.

Um desses cabos é o Seabras-1, inaugurado em 2017. Ele tem como ponto de conexão no Brasil a cidade de Praia Grande (SP), além de Wall Township e Nova Jersey como ponto de conexão internacional.

Com seis pares de fibra ótica e capacidade total de 72 Tb/s, o Seabras-1 é o primeiro cabo submarino a ligar diretamente São Paulo e Nova York. Uma das principais ideias é otimizar a conectividade do mercado financeiro, integrando as bolsas dos dois países.

“O nosso projeto começou em 2012 e terminou em 2017. De 2017 até agora, tivemos um crescimento anual de 35%. A diversidade dos países pede novos sistemas para os cabos submarinos”, explica o painelista Michel Marcelino, Vice-Presidente Sênior e Head da América Latina da Seaborn.

Em qual estágio o Brasil se encontra no segmento de cabos submarinos?

O Brasil é o foco de investimento de várias operadoras no setor de cabos submarinos. Nos últimos 5 anos, o país teve ativação de tráfego em vários cabos novos, desde as empresas de conteúdo até as operadoras tradicionais.

Em entrevista exclusiva ao Portal IPNews, Alexandre Salomão, Diretor-Geral da Infinera, e que também participou do painel, destacou o cenário positivo no Brasil e um futuro extremamente promissor.

“Hoje temos novas opções de conexões no Brasil tanto com a América do Norte quanto com a Europa, sem esquecer da conexão com África, que já está estabelecida. O Brasil vive um movimento de crescimento no segmento e está preparado para continuar crescendo, por conta dos interesses do mercado, crescimento das aplicações, além da presença de empresas internacionais”, explica.

Na opinião de Salomão, o Brasil está no caminho certo para se tonar uma referência mundial no segmento de cabos Submarinos. Segundo ele, essa trajetória passa por dois pilares fundamentais:

A questão da demanda, onde existe uma necessidade de conectividade para diversas aplicações em setores diferentes, como o mercado financeiro, de medicina remota e o mercado de games, que demanda uma conexão intercontinental efetiva.

“O segundo pilar é a parte da tecnologia, que é onde a Infinera pode colaborar, no desenvolvimento das suas soluções, permitindo maior capacidade de transmissão dados nos cabos existentes, pois a gente não pode esquecer que o recurso mais escasso nas redes submarinas é o cabo. E a tecnologia cada vez mais avançada vai permitir um uso mais eficiente dele, com um menor custo por bit das operadoras”, ressalta o executivo.

O Diretor-Geral da Infinera cita alguns aspectos que trazem a necessidade de aumento de capacidade e redução da latência: adoção das aplicações multimídia, transporte de vídeo, mídias sociais e, mais recentemente, de forma explosiva, a parte de jogos, que cresce de forma muito significativa.

“Um exemplo bem legal e pouco falado é a parte de pesquisas. O Brasil hoje faz parte de um grupo de pesquisas, centro de pesquisas interligados no mundo todo, como da Europa e nos Estados Unidos. A velocidade de conexão de interligação desses centros é fundamental, e a tecnologia mais eficiente para fazer isso é a submarina”, finaliza Salomão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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