Estratégias

Empresas apostam em moradores solitários

Kátia Bello, da Opus Design

Kátia Bello, da Opus Design

O mercado tem buscado a adequação ao público que mora sozinho, grupo formado por 6 milhões de pessoas.

O número de brasileiros que moram sozinhos dobrou na última década, atingindo a marca de seis milhões de pessoas. A estimativa é que, até 2016, este contingente aumente para 12 milhões de pessoas, de acordo com estudo do Market Analysis, instituto de pesquisa e opinião pública. Diante deste cenário, as empresas já se preparam para atender às necessidades deste público, criando estabelecimentos, produtos, serviços e campanhas baseados no seu perfil.

Os moradores solitários são responsáveis por 40% do consumo de produtos embalados individualmente, e preferem fazer compras em um único lugar que tenha produtos de diferentes segmentos. A pesquisa mostra que este grupo é composto por consumidores mais exigentes, que buscam melhores preços (80%) e só concordam em adquirir produtos mais caros se isto significar maior durabilidade. Pagar mais em troca de conforto ou praticidade é uma característica inerente àqueles que moram com suas famílias e precisam otimizar seu tempo para cuidar do lar.

De acordo com Kátia Bello, especialista em comunicação estratégica de varejo, arquiteta e sócia-diretora da Opus Design, para conquistar esse filão de mercado as empresas têm buscado a adequação ao público que mora sozinho, como, por exemplo, com o desenvolvimento de produtos com porções e embalagens reduzidas focadas no indivíduo e não na família. “Há segmentos que aproveitam muito bem este tipo de nicho, tais como agências de viagens que promovem passeios e viagens exclusivos para quem é sozinho”, exemplifica Kátia.

Um exemplo é a rede de delivery e restaurantes especializados em culinária chinesa China House. Do total de clientes atendidos pela empresa, os consumidores solo somam cerca de 35% e, por isso, a rede teve atenção especial com este público: criou, entre as opções de entrega, porções individuais e office, voltadas especificamente para quem mora sozinho ou prefere almoçar sozinho no escritório. Essas porções foram criadas no início de 2005 e, desde então, sua saída teve um crescimento de 15%.

“Este público gosta de praticidade, evita comprar produtos que gerem desperdício e valorizam a qualidade. Conseguimos criar um produto com um preço muito competitivo e de alta qualidade. O resultado tem sido muito promissor e a cada ano que passa notamos um crescimento nas vendas dessas porções”, diz Jorge Torres, franqueador da rede China House.

Katia afirma que para atender bem este público é ideal pensar no ponto de venda como um local de relacionamento, já que, de acordo com a pesquisa, a atividade relacionada a lazer mais citada por este grupo foi comprar (42%). “Quando falamos de pesoas que moram sozinhas a palavra relacionamento assume ainda mais importância. Já ouvi relatos de clientes supermercadistas contando que é comum pessoas que moram sozinhas irem duas, três vezes no supermercado em um mesmo dia”, conta Katia.

Outro ponto destacado na pesquisa é que estes moradores possuem hábitos menos saudáveis e atribuem a responsabilidade pela segurança alimentar aos fabricantes dos produtos. Passeios a bares e restaurantes foram citados por 42% contra 21% da população em geral, assim como comer em redes de fast food constantemente também foi comentado por 36% dos entrevistados. No grupo, 45% afirmaram consumir bebidas alcoólicas e 66% ingerem doces e chocolates.

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