Análise Setorial

Empresas brasileiras precisam de benefícios fiscais para investimentos verdes

ImageGrande parte das empresas, de acordo com pesquisa, só investirá em equipamentos de baixa emissão de carbono quando seus custos operacionais tornarem-se iguais ou inferiores aos dos convencionais.

Uma pesquisa da Regus, empresa de soluções de espaço de trabalho, indica que as companhias brasileiras precisam de incentivos fiscais para acelerar o ritmo da adoção de tecnologias verdes. Dos participantes do estudo no Brasil, 83% declararam isso.

O estudo revelou que somente 37% das empresas de todo o mundo efetivamente mensuram suas emissões e que menos de 1/5 delas (19%) aferem o rastro de carbono de suas atividades. Em nível global, 46% das empresas ouvidas declararam que só investirão em equipamentos de baixa emissão de carbono quando seus custos operacionais tornarem-se iguais ou inferiores aos dos convencionais. Apenas 40% investiram em equipamentos de baixa emissão de carbono e 38% têm esse tipo de investimento definido em suas políticas corporativas.

Especificamente no Brasil, os resultados do estudo indicam que apenas 17% das empresas monitoram seu rastro de carbono, um ínidice ainda menor que a média global (19%). Contudo, 50% investiram em equipamentos de maior eficiência energética. Do total das empresas participantes, 46% tinham política de investimento em equipamentos e baixa emissão de carbono, o que coloca o Brasil acima da média global, com 38%.

A pesquisa também constatou que os custos operacionais são muito importantes no país, já que 42% dos participantes afirmaram que investiriam em equipamentos de baixa emissão de carbono se sua operação tivesse custo inferior ou iguais ao dos equipamentos convencionais. Por fim, a maioria absoluta das empresas (83%) afirmou que, se o governo oferecesse incentivos fiscais à adoção de equipamentos de alta eficiência energética ou baixa emissão de carbono, o meio empresarial aceleraria seus investimentos verdes de maneira significativa.

De modo geral, as pequenas empresas estão abaixo da média em investimentos verdes atuais e previstos. No Brasil, apenas 12% das pequenas empresas monitoram o rastro de carbono, perante 38% das grandes companhias. Enquanto menos da metade, 44%, das pequenas empresas contavam com alguma política de investimento em equipamentos verdes, 54% das grandes já têm políticas definidas nesse sentido.

“O Brasil foi o segundo colocado no ranking de vendas de tecnologias verdes da WWF, graças à produção em larga escala do etanol, amplamente apoiada pelo investimento do governo em P&D, mas a adoção efetiva de equipamentos verdes e iniciativas de monitoramento ainda decepciona, sobretudo entre as empresas menores”, comenta Michael Turner, vice-presidente para a América Latina da Regus.

As pequenas companhia respondem por metade da movimentação financeira no país. “Se o governo brasileiro quer mesmo que as empresas cumpram as ambiciosas metas governamentais de redução de emissões de carbono até a metade do século, precisará oferecer incentivos adequados para a mudança, em todos os níveis. No momento, as tecnologias de baixa emissão de carbono muitas vezes têm limitações de escopo e são comercializadas a preços premium", completa.

Segundo o executivo, essa combinação vem provando ser um obstáculo ao investimento de difícil superação. "Incentivos fiscais ajudarão muitíssimo, como indica nossa pesquisa, e, acelerando a adoção, também contribuirão para assegurar escala ao mercado, com redução dos preços unitários”, finaliza.

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