Ferramenta mais utilizada ainda é o email.
As ferramentas de colaboração ainda são subaproveitadas, e isso se deve sobretudo a uma questão cultural nas empresas, ainda não habituadas a essa nova forma de trabalhar . Essa é a conclusão dos participantes da conferência “Plataforma corporativa de colaboração”, ocorrida nesta quinta-feira (16) durante o Ciab Febraban.
Para Laércio Cosentino, da Totvs, apesar do elevado número de empresas instalando plataformas de colaboração, para elas ainda é um desafio utilizá-las efetivamente. “A cultura empresarial colaborativa inserida na sociedade do conhecimento ainda é um desafio”, diz. “Talvez as pessoas acreditem que falte tempo para fazer o trabalho, mas essas plataformas são uma grande oportunidade de compartilhar um novo mundo.”
Edson Fregni, da Sciere Consultores, diz que as redes sociais são espaço de interação e colaboração, com o objetivo de partilhar o conhecimento. Os ambientes colaborativos se enquadrariam nessa definição. “As pessoas precisam sentir que aquilo tem algum valor não só para a empresa, mas também para elas”, diz. “A tecnologia viabiliza o diálogo, o trabalho coletivo e formação do todo social, mas há os dilemas entre o valor disso e o risco que os colaboradores correm ao expressar suas opiniões.”
Banco do Brasil
Segundo Anderson Nobre, do Banco do Brasil, quando recém instaladas “as pessoas tem medo de usar” as plataformas colaborativas. A participação é pequena pois o ambiente exige a flexibilização das hierarquias. “Se o indivíduo tem medo, não vai expressar suas verdadeiras opiniões e, portanto, não vai colaborar. É necessário uma estratégia clara de implantação”, diz.
Outra dificuldade é incentivar a participação da área de negócios da empresa, já que o projeto colaborativo é implantado pela área de TI. No caso do Banco do Brasil, explica Nobre, a ferramenta colaborativa foi disponibilizada para todos os colaboradores no Brasil e também nas agências no exterior. “Foi um grande desafio, pois o banco possui atualmente 120 mil colaboradores espalhados por 5,1 mil agências”, diz Nobre. “No Brasil, temos agências em municípios longínquos, onde a estrutura para implantação é complexa por motivos de infraestrutura.”
A antiga ferramenta de colaboração do banco, adotada desde o início dos anos 2000, foi substituída, pois, segundo Nobre, não “compartilhava de forma ágil, nem promovia comunicação com eficiência”. A plataforma utilizada é uma customização do IBM Lotus. “O email ainda é o recurso mais utilizado. O compartilhamento ainda é a menos utilizada, pois não está totalmente disponível”, explica Nobre.

