Análise Setorial

Empresários brasileiros não se preocupam com registro de marca

Maria Isabel Montañéz, da Cone Sul Marcas e Patentes

Maria Isabel Montañéz, da Cone Sul Marcas e Patentes

Cerca de 80% dos registros de patentes realizados no Brasil são de multinacionais aqui instaladas.

De acordo com pesquisa realizada pelo INPI, Instituto Nacional da Propriedade Industrial, apenas 20% das empresas brasileiras possuem sua marca registrada, enquanto as restantes correm o risco de perder seus nomes e qualquer direito sobre ele. Mesmo as organizações que registram sua marca junto ao INPI chegam a demorar até 10 anos para fazê-lo.

Já quando falamos de empresas estrangeiras que abrem uma filial no Brasil, a situação é totalmente inversa. Antes de efetuarem qualquer ação, essas empresas consultam se o nome da marca já é registrado junto ao INPI, e apenas após finalizar o processo de registro de marca passam a se preocupar com a abertura da empresa. Para se ter idéia, cerca de 80% dos registros de patentes realizados no Brasil são de multinacionais aqui instaladas. Para Maria Isabel Montañéz, agente de propriedade industrial e diretora da Cone Sul Marcas e Patentes, isto ocorre por uma questão de visão empresarial diferente.

De acordo com Maria Isabel, o brasileiro pensa primeiramente em lucrar, e só depois dá importância ao registro de sua marca. “Os empresários brasileiros ainda estão na era do lucro pela comercialização de produtos e serviços. Ledo engano, estamos na era do conhecimento, ou seja, quem detém o conhecimento e a tecnologia deste tem mais possibilidade de obter lucratividade”, afirma a diretora.

Em um mercado competitivo e globalizado, a situação representa um risco enorme à empresa, já que, de acordo com os Tribunais de Justiça, se o empresário não registrar sua marca e outros o fizerem antes dele, terá obrigatoriamente de mudar o nome, o que muitas vezes se traduz em prejuízos irreversíveis.

Para reverter esse cenário, claramente desfavorável ao empresariado brasileiro, Maria Isabel acredita que é preciso dar mais ênfase ao patrimônio intangível das empresas, já que este é e será cada vez mais o maior patrimônio de qualquer organização. “A marca é o maior patrimônio que a empresa pode ter. Se ela perde a marca, precisa começar tudo novamente, e firmar uma marca no mercado é um trabalho muito árduo”, finaliza.

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