A engenharia de software verde desponta como tendência do setor para 2024, conforme pesquisa do Gartner. A consultoria de TI prevê que, até 2027, 30% das grandes organizações globais incluirão a sustentabilidade de software em requisitos não funcionais, contra menos de 10% neste ano.
A busca de empresas para minimizar a pegada ecológica acontece na esteira da crescente preocupação com mudanças climáticas e necessidade de preservação de recursos naturais. Segundo pesquisa da Allianz Commercial, empresários brasileiros apontam questões relativas aos distúrbios do clima como o principal risco para 2024. No ano passado, esse tema aparecia em oitavo lugar.
O consultor de qualidade da keeggo, Stênio Viveiros, explica que o conceito visa reduzir o impacto ambiental das atividades de desenvolvimento de software, adotando práticas sustentáveis em todas as fases do ciclo de vida do produto: “Abrange desde a escolha de tecnologias e infraestruturas com menor consumo energético até a otimização de algoritmos para reduzir o uso de recursos computacionais”.
Também incentiva a reutilização de software e a virtualização de servidores, que visam a minimização do desperdício: “Além de contribuir para a preservação do meio ambiente, empresas também podem obter benefícios econômicos, como a redução de custos operacionais e o aumento de eficiência dos processos de desenvolvimento”, afirma o especialista, que destaca três tendências:
- Design e arquitetura sustentáveis: engenheiros estão cada vez mais focados em criar sistemas que sejam modularizados, escaláveis e fáceis de manter. Isso reduz a quantidade de retrabalho necessário no futuro e facilita a implementação de atualizações e melhorias.
- Desenvolvimento ágil: métodos como Scrum e Kanban priorizam a entrega contínua de valor ao cliente, permitindo adaptações rápidas e frequentes. Como resultado, há redução do desperdício de recursos e aumento da eficiência do desenvolvimento.
- Testes automatizados e integração contínua: a automação de testes e a integração contínua permitem identificar e corrigir problemas de forma rápida e eficiente, garantindo a qualidade do software ao longo do tempo. Isso reduz a necessidade de retrabalho e minimiza o impacto ambiental associado a falhas de software.
Apesar dos avanços significativos na área, o consultor da keeggo ressalta que ainda há desafios a serem superados, como a conscientização dos profissionais de TI sobre a importância da sustentabilidade e a integração efetiva de práticas verdes nas políticas e estratégias das empresas.
“É fundamental que a indústria de tecnologia e as instituições de ensino promovam a conscientização e incentivem a adoção da engenharia de software verde como parte essencial da transformação digital sustentável. Juntos, podemos construir um futuro mais verde e tecnologicamente avançado”, diz Stênio.
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