Futurecom 2014

Ericsson faz 90 com sotaque brasileiro na Futurecom

ESPECIAL FUTURECOM 2014 Apesar de sueco, o CEO da empresa fala português. E foi claro: a empresa mantém a liderança em infraestrutura móvel, BSS, OSS e serviços de telecom no Brasil

O sueco Hans Vestberg, CEO e presidente da Ericsson, principal executivo mundial do grupo europeu, deu o seu recado em um português pautado por leves pitadas de espanhol. Com experiência anterior no Brasil e em outros países da América Latina, Vestberg não deixou de ser compreendido, não só pelo pouco sotaque como por ter destacado a mudança da empresa e do setor de telecomunicações a partir de vários números. No país, a Ericsson tem 5 mil colaboradores, pouco menos do que 5% da mão de obra global e se posicionaria – de acordo com Vestberg – como o fornecedor com maior market share nas áreas de infraestrutura móvel, sistemas de supervisão de operação e de negócios (BSS e OSS) e serviços em telecomunicações. Os segmentos são apontados por ele como entre os mais fortes da corporação em nível mundial ou são setores em que a empresa tem disputado a liderança.

Globalmente, metade do tráfego movimentado em redes 4G é transportado em equipamentos de infraestrutura móvel da Ericsson. Vestberg avalia ainda que 1 bilhão e assinantes das operadoras mundiais de telefônica móvel façam suas ligações e enviam dados usando a tecnologia da fabricante sueca. Apesar dos volumes serem consideráveis, a concorrência não está parada, o que explica a mudança forte que o grupo passou em termos de globalização nos últimos 14 anos. Enquanto metade dos profissionais da Ericsson estavam baseados na matriz em 1999, apenas 15% ficaram na Suécia em 2013, índice que permanece como a média.

No mesmo período, o número de players tradicionais de telecomunicações foi reduzido em um terço, passando de cerca de 15 para 5, sendo a empresa sueca um deles. Se os tradicionais foram desaparecendo ou absorvidos, o mercado passou a conhecer uma miríade de novos players, dessa vez com outro perfil, combinando telecomunicações com tecnologia da informação (TIC). Hoje, a Ericsson se posiciona como um dos que sobraram do mundo tradicional de telecomunicações, mas que passou a incorporar as mudanças do universo de TI.

O perfil de negócios também sofreu uma transformação: a área de software e serviços, que representava 27% do faturamento em 1999 passou a ser 66% da receita da empresa em nível global em 2013. Já a fabricação de equipamentos passou a ter um peso inverso. Apesar disso, a base instalada representa um ativo interessante que pode ser usado a favor da empresa, principalmente na área de serviços.

Assim como outros players, a fabricante aposta no crescimento da demanda de dados como um forte driver do mercado. Vestberg avalia que esse tipo de tráfego será multiplicado por 13 entre 2013 e 2019. Pontualmente, a movimentação pode ser imprevisível como mostra o tráfego de vídeo que foi seis vezes maior durante a Copa do Mundo de 2014.

 

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