O Brasil perdeu duas posições no ranking anual de competitividade digital, estudo publicado pelo International Institute for Management Development (IMD), instituição suíça dedicada à educação empresarial. Da 55a posição, o Brasil passou para 57a neste ano, sendo ultrapassado por Argentina e Filipinas. Dados do índice fazem com que pesquisadores apontem a incapacidade do País alcançar a 4a Revolução Industrial.
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O estudo, apoiado no País pela Fundação Dom Cabral (FDC), mostra que o Brasil perdeu posições em todos os pilares analisados (veja imagem abaixo). Os pesquisadores da FDC Ana Burcharth, Carlos Arruda e Luana Lott apontam que o Brasil se distanciou das condições de oferecer um ambiente de adoção, desenvolvimento e exploração das tecnologias digitais e sua aplicação nos negócios.
No pilar Conhecimento, por exemplo, o País perdeu sete posições em apenas um ano. O Brasil acabou na 61ª posição entre os 63 países analisados no subfator de desenvolvimento de talentos e na 57ª posição em treinamento e educação. “Estamos entre os dez piores países do estudo em seis das dezoito variáveis analisadas”, afirmam os pesquisadores.
Outro indicar crítico para a competitividade digital brasileira é o percentual de graduandos nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática na educação superior. Com 15,35% (56ª posição) dos graduandos, o Brasil forma bem menos estudantes em áreas científicas e tecnológicas do que a média dos países pesquisados – que é de 24%.
O percentual brasileiro é baixo até mesmo quando comparado com alguns países latino americanos, tendo o México 27,9% dos graduandos nas áreas de ciências e engenharias, seguido do Chile 20,1% e Peru 18,8%. A situação já faz com que empresas busquem medidas alternativas para lidar com a demanda por profissionais.
Pilar Tecnologia
Neste pilar, o Brasil se mantém estável na 55a posição, destacam os pesquisadores. O País fica na 26a posição no subfator de infraestrutura de banda larga e na 39a posição no investimento em infraestrutura de suporte à digitalização. Já no indicador de velocidade média da banda larga, o Brasil está na 53a posição, com 6,8 Mbps.
A burocracia, no entanto, é o principal entrave do para o País. O Brasil aparece na 62ª posição – penúltimo colocado – no quesito regulamentação para abertura de empresas; 55º nas regras e leis que promovem a inovação e 57º no cumprimento de regras de propriedade intelectual.
“Em síntese, seja para a promoção da inovação ou para a proteção e cumprimento das regras, o ambiente regulatório brasileiro precisa ser urgentemente revisto para se adequar ao contexto tecnológico do século XXI”, afirmam os pesquisadores da FDC.
O Brasil também não se destaca nas categorias de investimento. Somos o 59o em disponibilidade de recursos para investimentos em tecnologias; 52º na avaliação dos executivos sobre disponibilidade de capital de risco para financiar empresas de base tecnológica; e 51º lugar na avaliação da disponibilidade no sistema bancário brasileiro de produtos para financiar os investimentos em tecnologia e inovação. Segundo os pesquisadores, estes são fatores difíceis de serem alterados em um momento de instabilidade política, econômica e institucional.
Prontidão Futura
O pilar que reflete o que o IMD chama de “práticas observadas nos países para explorar as vantagens da transformação digital”, mostra que o Brasil perdeu três posições em um ano. Nele, o destaque fica para a adaptação do brasileiro ao uso de novas tecnologias, que nos coloca na 38a posição (sete posições acima que em 2017).
No entanto, o Brasil perde quatro posições em agilidade de negócios (52a em 2018) e duas em integração da TI (51a). Dados também apontam que o País não consegue incentivar práticas de parcerias público-privadas (59a posição), além de estar na 58ª posição na transferência de conhecimento entre as universidades e as empresas e na 56ª posição nas iniciativas de cooperação empresarial para inovação e desenvolvimento tecnológico.
Para os três pesquisadores da FDC, o ranking de competitividade digital reforça a necessidade de um maior envolvimento das empresas e da sociedade civil na transformação do Brasil em uma nação digital. Eles afirmam que é preciso atualizar o modelo educacional, incluindo disciplinas sobre novas tecnologias e competências, além de reduzir desigualdades de gênero e de raça em universidades e centros de pesquisa.
“Já passou da hora do Brasil passar por um ciclo de reformas efetivas, simplificando seu marco regulatório e promovendo a eficiência das instituições publicas de apoio ao desenvolvimento cientifico e tecnológico”, encerram os pesquisadores.
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