Relatório contabiliza US$ 247 milhões em 91 investimentos no período, ante US$ 1,7 bilhão e 306 rodadas entre janeiro e março de 2022.
A fuga do capital de risco do mercado brasileiro mais uma vez fica evidenciada na recente edição do Inside Venture Capital Report, relatório do Distrito que monitora a atuação dos fundos de investimento em startups no Brasil. Com a consolidação dos dados de março, mês marcado pela falência do Silicon Valley Bank, o trimestre chegou ao fim com uma queda de 86% em novos aportes em companhias brasileiras na comparação com o mesmo período de 2022.
O levantamento apontou que foram realizadas 91 rodadas neste ano, o que movimentou o mercado com uma injeção de US$ 247,02 milhões. No mesmo trimestre do ano passado, o setor contabilizou 306 rodadas e US$ 1,7 bilhão em investimentos.
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Na comparação setorial, destacam-se mais uma vez as FinTechs, que receberam o maior volume de recursos (US$ 112 milhões) e o maior número de rodadas (28); seguido pelo setor de Supply Chain, impulsionado pela rodada de investimento na Daki, que anunciou um cheque de US$ 50 milhões em fevereiro; e EnergyTech, cada segmento levantando US$ 51,1 milhões e US$ 48,6 milhões em montante de capital, respectivamente.
Para Gustavo Gierun, CEO do Distrito, apesar do cenário de crise acentuada, o levantamento indica que o mercado tem buscado novos meios de captação. “Os dados agora mostram mais founders incrementando seus caixas com operações de dívida e com estruturação de M&A. Essa tendência já aparecia no fim de 2022 e continuou em expansão neste trimestre. São números que acabam mostrando a resiliência das startups em um momento de instabilidade de mercado que muitas delas não haviam vivenciado”, diz.
De acordo com o executivo, esse movimento tem pontos positivos e negativos para o mercado. Entre os benefícios para quem busca financiamento via dívida estão a ampliação dos fluxos de caixa sem diluição, manutenção do controle da companhia, além de evitar um possível down-round (quando as empresas levantam dinheiro com uma avaliação mais baixa do que as rodadas anteriores). Por outro lado, levantar capital por este meio também exige dos founders uma maior diligência financeira, fora as obrigações de pagar o montante principal do empréstimo em um período de tempo específico.
O Inside Venture Capital Report aponta que nos três primeiros meses de 2023 as transações de dívida já tinham registrado uma alta de 14% a mais em número de transações na comparação com o período equivalente de 2022 (8 no 1T23 vs 7 no 1T22). Em relação ao último trimestre de 2022, o percentual também cresceu: foram 8 no 1T23 vs 5 no 4T22, uma alta de 60%.Agora, entre janeiro e março deste ano, o levantamento mostra que este mesmo número cresceu 23% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, com deals que somam US$ 317 milhões.
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