Análise Setorial

Estudo retrata as tendências de mobilidade urbana

Resultados apontam que moradores de grandes centros urbanos elegem transporte público como meio de locomoção aspiracional em todas as classes sociais.

Como parte do apoio ao tema da mobilidade urbana por meio de sua ação social, o Projeto Sinal Livre, a Liberty Seguros encomendou uma pesquisa para verificar as opiniões de moradores de seis grandes centros urbanos no país – Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro – sobre a situação atual e as tendências da mobilidade urbana em suas cidades.

Com a pergunta “Qual a sua ideal para se viver”,  a pesquisa, desenvolvida em parceria com o instituto Teor Marketing, foi dividida em três fases. A primeira contou com uma investigação inicial sobre as tendências em mobilidade urbana no mundo, seguida pela fase exploratória onde foram entrevistados  especialistas brasileiros em diferentes aspectos da mobilidade urbana. Na fase final, foi realizada uma pesquisa quantitativa com moradores das cidades escolhidas, na qual os entrevistados responderam às perguntas por meio de um aplicativo de smartphone , totalizando 49% de mulheres e 51% de homens, com idade média de 29,7 anos. A classe social predominante dos respondentes foi a B, com 48% dos participantes, seguida pela classe A, com 36%, e classe C, com 16%.

Analisando o cenário atual da locomoção nestas metrópoles, a pesquisa identificou que 47% dos entrevistados utiliza o carro como principal meio de transporte, número que contrasta com a perspectiva de um futuro ideal onde menos de 7% da população optaria pelo uso do carro no dia a dia. O tempo médio de deslocamento diário para o trabalho ou estudo dentro das cidades está em torno de 60 minutos, com destaque para Curitiba, a mais rápida entre as cidades da pesquisa com 52 minutos. No Rio de Janeiro, o tempo médio do percurso entre casa e trabalho foi superior a 1h e 10 minutos.

Outro destaque da pesquisa foram os entrevistados que migraram para um novo meio de transporte nos últimos cinco anos. 38% fizeram algum tipo de troca, sendo que, deste total, 54% trocaram o transporte público pelo particular (carro ou moto), 26% passaram para o transporte público e 17% declararam ter passado a andar a pé. O principal motivo dessa mudança, segundo os entrevistados, foi uma maior busca por conforto e rapidez.

De acordo com José Mello, Superintendente de Pesquisa e Inovação da Liberty Seguros, os números sobre a migração no meio de transporte refletem a valorização do carro na sociedade atual. “Apesar de idealizarem uma cidade com menos carros nas ruas e prioridade para o transporte público, o veículo próprio ainda parece ser um fator aspiracional. Acreditamos que a ascensão econômica da classe C e o acesso mais fácil ao crédito destravaram uma demanda reprimida para aquisição de automóveis no mercado”.

Em relação ao meio de transporte ideal para o futuro, apenas 7% dos respondentes declararam que prefeririam carros e motos como meio de transporte, dando prioridade a transportes públicos como ônibus, trens e metros (49%), seguido pelas bicicletas ou a pé (44%). “Estas aspirações se mostraram comuns em todas as classes sociais. É consenso entre os entrevistados que o tempo de deslocamento para o trabalho ou para as atividades de lazer seja reduzido drasticamente em relação aos parâmetros atuais”, comenta o superintendente em relação ao transporte preferido na cidade ideal. Outro achado interessante é que 75% dos entrevistados concentrariam suas compras em pequenas lojas de rua nos bairros onde moram ou pela internet. Para os entrevistados, o bairro serviria como uma cidade compacta, onde seria possível fazer tudo próximo de casa.

Além da vontade de viver em cidades mais compactas, outros fatores tiveram destaque entre os paulistanos. Para 85% dos moradores da capital paulista, as calçadas da cidade no futuro deveriam ser mais largas, oferecendo mais estrutura para quem anda a pé. O desejo pela flexibilização do horário de trabalho também registrou os maiores índices em São Paulo, com 95% dos entrevistados afirmando que gostariam de trabalhar alguns dias da semana em casa ou ter a possibilidade de realizar um horário flexível. Na média das cidades entrevistadas, 92%  dos respondentes gostariam dessa flexibilidade; na realidade atual, apenas 38%  declaram ter algum tipo de trabalho flexível.

Quando questionadas sobre qual o caminho para se construir essa cidade do futuro, 51% declararam que a mudança viria de pequenas atitudes individuais ou coletivas realizadas pelas pessoas e que a melhor forma de conscientizar a população seria através da educação (53%), principalmente de jovens e crianças que influenciariam suas famílias nessa mudança de comportamento.

 

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