Aproveitando o bom momento da construção civil, a empresa quer se consolidar como uma das principais provedoras de produtos para o segmento.
O Grupo Eternit – que atua nos setores de cobertura, painéis e placas cimentícias – anuncia a entrada da empresa em um novo segmento: o de louças sanitárias. O objetivo é consolidar a marca como provedora de produtos e soluções para o segmento. “Aproveitamos o bom momento da construção civil para diversificar a ampliar nossos negócios”, afirma Elio A. Martins, presidente da empresa.
Além de investir em um novo segmento, a empresa também apresenta um novo portfólio de produtos. Entre as novidades está a Eterville, telhas com acabamento colorido, e três novos produtos para sistemas construtivos: as placas cimentícias Eterplac Wood (com acabamento texturizado) e Eterface (com acabamento em laminado e várias opções de padrões e cores), e o Pratic Wall (painel termo acústico de placa cimentícia e miolo de EPS estruturado com perfis metálicos).
Com os lançamentos e a entrada no novo segmento, a empresa está investindo R$ 44 milhões na ampliação da capacidade produtiva, na modernização e aquisição de equipamentos e em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. “Esta ação está alinhada ao novo Programa de Expansão e Diversificação que anunciamos em 2007”, comenta Martins. “A opção pela entrada no mercado de louças sanitárias, por exemplo, veio a partir de um estudo da Diretoria de Desenvolvimento e Novos Negócios que vem prospectando diversos segmentos e percebeu que havia uma ótima oportunidade para a entrada de novos players neste mercado”, completa.
Saulo Simoni Nacif, diretor de Desenvolvimento e Novos Negócios da Eternit, explica que há um ano a Eternit estuda entrar no mercado de louças sanitárias, e para isso analisou, de maneira analítica, a força e as barreiras do segmento, os clientes e o varejo. “Analisamos e percebemos que existia até mesmo falta de louças sanitárias no mercado. Por isso, a própria dinâmica das vendas irá dizer onde a Eternit pode chegar nesse segmento, mas temos certeza que seremos um grande player”, declara Martins.
Serão lançadas, inicialmente, duas linhas de louças com a marca Eternit para os segmentos médio, luxo e popular, além de peças individuais, como lavatórios, e um modelo de bacia one piece (bacia e caixa acoplada em uma única peça) para o mercado de luxo. Para o lançamento, todas as peças serão produzidas na cor branca. A partir do primeiro trimestre, a empresa já oferecerá outras opções de cores.
Inicialmente, a fabricação das louças será terceirizada. “Optamos pela industrialização feita por terceiros porque assim o custo é mais barato e vamos sentir a aceitação do mercado. Em três anos esperamos o retorno de tudo o que investimos e, dependendo da resposta do mercado, podemos até mesmo passar a industrializar as peças”, conta Martins.
Segundo Nacif, a Eternit dará continuidade a sua plataforma de desenvolvimento de novos produtos e soluções dentro do segmento de construção. O presidente da empresa explica que hoje a Eternit, que tem sede em São Paulo e mais cinco unidades fabris em outros estados, está trabalhando com sua capacidade máxima, e que o mercado irá ditar os investimentos que serão feitos em 2009. “Nós queremos ser uma empresa que tem lançamentos contínuos, mas não vamos nos aventurar naquilo que não conhecemos. No segmento da construção civil gastamos pouco com lançamento, porque já somos uma marca fortalecida no mercado. Entrar em outras áreas seria correr riscos, e não queremos isso”, afirma.
Os novos produtos estarão disponíveis para compra no primeiro trimestre de 2009 e serão comercializados nacionalmente, tanto em canais de distribuição, para os usuários finais, quanto para as construtoras.
Marcos Intelisano, gerente de Marketing e Inteligência de Mercado da empresa, conta que nos primeiros seis meses serão investidos cerca de R$ 1,5 milhão na estratégia de divulgação dos novos produtos, com campanhas em mídia escrita, internet, feiras do setor, eventos, e também nos pontos de venda.
Lucro e resultados
Em 2007, a Eternit, que também controla a SAMA – Minerações Associadas, teve faturamento consolidado de R$ 500 milhões de reais, e espera fechar este ano com a cifra de R$ 700 milhões. “Nosso objetivo é elevar o faturamento para R$ 1 bilhão até 2011”, conta Martins.
Os resultados refletem o bom momento da construção civil. No terceiro trimestre de 2008, o crescimento no volume total de vendas de produtos acabados em relação ao mesmo período de 2007 foi de 24,3%. Já a receita líquida consolidada da Eternit alcançou um recorde histórico e atingiu R$ 135,8 milhões, um crescimento de 48,7% em relação ao mesmo período de 2007.
O terceiro trimestre de 2008 foi marcado também pela crise financeira mundial, que assolou o mercado. No contexto, as ações da Eternit encerraram o período cotadas a R$ 5,90, uma desvalorização de 12,6% em relação ao final do segundo trimestre. O valor de mercado da Eternit atingiu R$ 425,2 milhões ao final de setembro de 2008.
Apesar disso, as perspectivas da empresa são positivas. “Para 2009 estamos muito otimistas, nossos números são interessantes e devemos manter o ritmo de crescimento”, afirma o presidente. Ele ressalta que a alteração cambial também não é prejudicial à empresa, “uma vez que a dependência de importação da Eternit é pequena. Somos exportadores, portanto a mudança até nos beneficia”, finaliza Martins.

