Para o diretor da Trellis, Cássio Spina, o escândalo envolvendo a Cisco não é novidade no mercado de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicações). Segundo ele, “ainda tem muita gente para cair”. Outro concorrente nacional, a Leucotron, acredita que as alterações serão paulatinas.
A operação deflagrada pelo Ministério Público em conjunto com a Polícia Federal e a Receita Federal, denominada Persona, que desmontou o esquema de sonegação fiscal, avaliado em R$ 1,5 bilhão, contra a Cisco Systems e tomou conta dos noticiários nacionais e internacionais, dá indícios de que o mercado de TI e Telecom deverá “rever” alguns conceitos.
Em entrevista ao Canal VoIP do Convergência Digital, Cássio Spina, diretor executivo da Trellis, declara que o mercado poderá reagir às denúncias. “Esperamos que a partir de agora exista um reconhecimento dos clientes e, em especial, do governo. Em muitas licitações que participamos com empresas internacionais sabemos que alguns burlam regras e leis, mas como estão com preços mais competitivos, acabam levando a negociação”, diz.
O executivo prefere não generalizar, mas segundo ele, “há muita gente de órgãos públicos envolvida nesse tipo de esquema”. E completa: “A concorrência é desleal. Trabalhar conforme a lei no Brasil tem um preço muito alto, mas mesmo o País tendo uma das cargas tributárias mais elevadas, nada justifica agir contrário à lei”.
Considerado um dos maiores escândalos do setor de TI, o caso Cisco, segundo o executivo da Trellis, gerou perdas ao mercado. “Com esse montante dá para avaliar o quanto as empresas que agem honestamente foram prejudicadas”.
A justificativa, de acordo com Spina, está atrelada à margem dos preços. “Muitas vezes a companhia é obrigada a baixar o seu preço para conseguir concorrer com grandes players. Isso é fato corrente.”
O executivo vai além e alfineta: “O que está sendo denunciado contra a Cisco acontece em muitas outras companhias, e o mercado sabe disso, ainda tem muita gente para cair”, denuncia.
Enquanto Spina é ácido em suas declarações, o diretor de marketing da Leucotron, Antonio Claudio de Oliveira, prefere a posição de base. Sem tecer comentários aprofundados, ele somente afirma que pouco mudará no mercado. “Este episódio não fará muita diferença para a Cisco. Ela tem um nome forte no Brasil, está muito consolidada”, diz.
Sobre o fato, Oliveira comenta estar satisfeito com as ações da PF, MP e RF. “Se realmente for comprovado que a Cisco sonegou esse valor, e todos os envolvidos forem punidos, isso é sinal de que ainda poderemos nos orgulhar da Justiça brasileira”.
Neste aspecto Spina concorda com o concorrente: “O jeitinho brasileiro tem caído. Temos visto denúncias de que não dá mais para se fazer as coisas por debaixo dos panos”.
Considerações
Outra envolvida no esquema, a distribuidora Mude, acusada de alterar documentos como nota fiscal, para não pagar os impostos, divulgou a sua primeira declaração oficial na tarde desta quarta-feira. Na nota enviada pela assessoria de imprensa, a companhia diz que “está colaborando plenamente com as investigações e que seus dirigentes estão à disposição da PF para depoimentos e informações”.
A empresa também explica que continuará suas atividades em seu escritório em Alphaville, região metropolitana de São Paulo, e “fará o máximo esforço para superar rapidamente esta situação e manter o bom atendimento a seus clientes e parceiros”.

