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Facções criminosas extorquem provedores e sequestram sua infraestrutura, alerta Abrint

A Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) alerta para uma escalada de ataques criminosos contra provedores regionais de telecomunicações em diversas partes do País. A entidade afirma que empresas do setor vêm sendo vítimas de destruição de redes, sequestro de infraestrutura e extorsão por parte de facções criminosas.

Segundo a Abrint, facções criminosas vêm extorquido essas empresas, exigindo pagamentos mensais e, em alguns casos, assumindo o controle total da infraestrutura. A atuação criminosa, especialmente nos Estados do Rio de Janeiro, Ceará e Pará, observa um mesmo padrão e inclui ameaças diretas aos donos dos provedores e seus colaboradores, além da exigência de um percentual do faturamento bruto. Em muitos casos, os bandidos tomam para si a infraestrutura física das redes e assumem os serviços como forma de exercício de poder e demarcação de território.

Os impactos para os provedores são significativos. Empresas de todos os portes, desde pequenos negócios familiares até grandes operadoras regionais, estão sendo afetadas. Para evitar ataques, muitos provedores optaram por encerrar suas operações em determinadas áreas, comprometendo o acesso da população à internet e impactando a economia local.

bjetivando a autoproteção, diversas empresas estão adotando estratégias para minimizar a própria visibilidade da marca, removendo logotipos, encerrando lojas físicas de atendimento e substituindo equipamentos identificáveis por versões genéricas e sem logotipo.

Região dos Lagos já não conta com provedores

O prejuízo financeiro também é expressivo. Em média, dado que a ativação de um único cliente em uma rede de fibra óptica gira em torno de R$ 2.000,00, considerando equipamentos, mão de obra e infraestrutura de rede, e que muitas localidades são projetadas para atendimento e cobertura de 50% dos imóveis, o impacto financeiro e social desses crimes é ainda mais alarmante. Em algumas regiões, como a Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, provedores simplesmente deixaram de operar, pois não conseguiam lidar com a pressão das facções.

Os relatos são alarmantes: criminosos têm incendiado, sabotado e sequestrado redes de fibra óptica, exigido pagamentos para permitir a continuidade da operação das empresas e ameaçado a integridade física de profissionais do setor.

Os cidadãos dessas localidades acabam sendo forçados a utilizar redes controladas por criminosos, expondo seus dados pessoais e seus registros de conexões ao crime organizado.

Ação policial em curso

As autoridades começaram a agir diante da gravidade da situação. O governo do Ceará, em parceria com o Rio de Janeiro, está mapeando a atuação dessas organizações criminosas para tentar conter os ataques. No Ceará, a Secretaria de Segurança Pública conta com o apoio delegacias especializadas, como a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), para aprofundar as investigações.

Para a Abrint, a troca de informações entre os diversos entes do Sistema Único de Segurança Pública é fundamental. Ainda não há clareza sobre as ações adotadas pelos governos estaduais e a concentração e planejamento de esforços são essenciais.

Diante desse cenário, a Abrint cobra uma resposta firme e imediata das autoridades competentes, apoiadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e associações setoriais na troca de informações e na clareza técnica que se faça necessária.

Especificamente com relação à Anatel, a entidade entende os limites legais de sua atuação e capacidade, mas destaca sua importância no auxílio e apoio técnico junto às autoridades de segurança pública, buscando resultados concretos e coordenação de ações.

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