Check Point Software analisa o grupo de malware Qakbot e aponta impacto elevado na América Latina
O FBI anunciou ontem (29/8) que desmantelou a operação multinacional de hackers e ransomware Qakbot (também conhecido como Qbot), o qual afetou 700 mil computadores em todo o mundo – incluindo instituições financeiras, prestadores de serviços governamentais e fabricantes de dispositivos médicos.
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O malware Qakbot infectou as vítimas por meio de e-mails de spam com anexos e links maliciosos. Também serviu como plataforma para operadores de ransomware. Uma vez infectado, o computador das vítimas tornou-se parte da maior operação de botnet do Qakbot, infectando ainda mais vítimas.
Os pesquisadores da Check Point Research (CPR), divisão de Inteligência em Ameaças da Check Point Software Technologies, acompanham o Qakbot e suas operações há anos. Neste ano, o Qakbot foi destacado no Relatório Semestral de Cibersegurança da Check Point Software de 2023 como o malware mais prevalente em todo o mundo.
A CPR diz que a operação de remoção do FBI é um passo importante para interromper uma grande operação de crime cibernético. No entanto, a organização ainda se pergunta se esta foi uma remoção total ou se os operadores poderão voltar. Por isso a necessidade de as empresas ainda ficarem atentas à segurança da informação.
O que é o Qbot
Operado por cibercriminosos do Leste Europeu, o Qbot está em operação desde 2008. É o malware mais comumente detectado, com 11% das redes corporativas em todo o mundo impactadas no primeiro semestre de 2023.
O Qbot é complexo e um malware multifuncional, semelhante a um canivete suíço. Ele permite que os cibercriminosos roubem dados diretamente (credenciais de contas financeiras, cartões de pagamento, entre outros dados) de PCs, ao mesmo tempo que serve como uma plataforma de acesso inicial para infectar as redes das vítimas com malware e ransomware adicionais.
O Qakbot é distribuído principalmente por e-mails de phishing e é altamente adaptável e flexível, permitindo contornar medidas de segurança. Ele usa tipos de arquivo, incluindo OneNote, PDF, HTML, ZIP, LNK e muito mais para infectar máquinas.
Desde março de 2023, a equipe da CPR observou uma diminuição nos ataques Qbot em todo o mundo. No entanto, vale lembrar que, em julho de 2023, o ranking mensal de ameaças do Brasil manteve como principal malware o Qbot pelo oitavo mês consecutivo na liderança, com impacto de 12,73%, um índice que continua sendo mais que o dobro do impacto global (5,34%). O malware Qbot tem sido usado persistentemente para roubo de credenciais bancárias no Brasil.
Em relação aos setores, Educação/Pesquisa foi o que mais sofreu em 2023 no mundo com ataques de Qbot, com 23% das organizações impactadas, seguido pelo Governo/Militar com 18% das organizações impactadas e pela Saúde com 14%.
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