Objetivo final é reunir coleções históricas fragmentadas em um banco de dados comum facilitando a pesquisa final.
O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) e a Escola de Matemática Aplicada (EMAp) da Fundação Getulio Vargas, em parceria com a Columbia University, criaram a ferramenta History Lab (www.history-lab.org). A partir do uso da Inteligência Artificial, pesquisadores têm à sua disposição novas ferramentas de pesquisa e uma compilação de informações ligadas às relações internacionais e a diferentes Estados, como Brasil, Reino Unido e Estados Unidos, numa quantidade de dados sem precedentes.
“Os arquivos virtuais estão cada vez mais fragmentados, com dezenas de coleções espalhadas pela web, cada uma com diferentes metadados e recursos de pesquisa. Agrupamos coleções múltiplas e as unimos em um único banco de dados, o maior conjunto de documentos não classificados processados e disponíveis para qualquer pessoa fora do governo”, disse o professor e pesquisador da EMAp, Renato Rocha Souza.
Alexandre Moreli, professor do CPDOC, relata que o robô criado no projeto History Lab lê arquivos nascidos digitalmente ou que foram digitalizados e faz uma análise probabilística e estatística dos mesmos, sem que haja limitações quanto à quantidade deles. Segundo Moreli, a partir desse processo, o sistema identifica as palavras relacionadas entre si no universo de documentos e cria grupos temáticos coesos, o que um ser humano poderia levar meses, anos ou mesmo décadas para realizar.
Renato Rocha Souza conta que, entre as coleções processadas pelo History Lab encontra-se a primeira nascida digitalmente no DoS na década de 1970, com cerca de um milhão de documentos. Ele diz que boa parte dessas informações é sensível ou secreta e, portanto, tem sua disponibilização pública regulada pelas leis de acesso à informação do país. O problema, completa Renato, é que a determinação do momento da abertura pública de cada documento depende de seu grau de sigilo e de sensibilidade, em um processo a ser controlado minunciosamente e que, por ter sido feito manualmente até hoje, revela-se muito demorado e dispendioso.
Um dos objetivos do History Lab é, também, facilitar esse trabalho através do exame automático do conteúdo de cada informação arquivada e da identificação de seu grau de sigilo, determinando se deve ou não ser divulgada ao público.
Futuro – O professor do CPDOC Alexandre Moreli diz que, em breve, o History Lab vai expandir as coleções processadas agregando documentos de outros países, além de disponibilizar outras ferramentas aos pesquisadores.
“A equipe da FGV continuará a aperfeiçoar os recursos existentes, perseguindo inovações como o reconhecimento automático de pessoas em fotografias históricas ou a sincronização áudio-texto de entrevistas de História Oral. Trata-se de uma expertise que poderá ser aproveitada tanto por instituições mantenedoras de arquivos e pela administração pública, como por empresas ou outros interessados que pretendam gerir e explorar conjuntos de informação em escalas cada vez maiores”, observa.

