Rede

Fibra óptica cresce, mas experiência do consumidor ainda é baixa

O mercado brasileiro de banda larga ativou 3,5 milhões de novas conexões de fibra óptica residencial (FTTH) entre abril e junho de 2025, segundo o estudo The State of Business in Latin America. O movimento levou a tecnologia a quase metade (49,3%) dos domicílios brasileiros, um dos maiores crescimentos do mundo. No entanto, a experiência do consumidor ainda segue abaixo do esperado, como aponta a pesquisa Percepção da Internet Residencial 2025, realizada pela Melhor Escolha.

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Quase dois terços (63%) demonstram insatisfação com a sua internet fixa. Mais da metade (56%) aponta que testes de velocidade mostraram entrega abaixo da contratada, além de problemas como queda de sinal e lentidão, que levaram 43% das pessoas a trocarem de operadora nos últimos dois anos.

A situação indica que ampliar a infraestrutura não tem sido suficiente para garantir uma experiência estável. “Instalar fibra é só parte da equação. Sem monitoramento constante e inteligência para gerenciar o tráfego, a promessa de alta velocidade vira instabilidade recorrente”, afirma Carlos Duran, gerente de TI da Unentel, distribuidora do setor.

Ainda falta um backaul óptico na maioria das cidades

O retrato brasileiro também é desigual. Segundo o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT/Anatel), 1.207 municípios ainda não contam com backhaul óptico, infraestrutura que sustenta o desempenho da rede. Nessas áreas, a experiência do usuário tende a ser limitada, independentemente da tecnologia instalada no ponto de acesso.

Apesar do aumento de cobertura, muitos provedores têm pouca visibilidade sobre o que acontece na rede ao longo do dia. Eventos de pico, rotas congestionadas e equipamentos sobrecarregados costumam gerar as maiores queixas, por isso, é comum ver relatos de queda de conexão mesmo em planos anunciados como “100% fibra”.

Para melhorar a estabilidade, o caminho passa por cuidar da operação da rede no dia a dia. Isso inclui acompanhar em tempo real onde a conexão está ficando mais lenta, redirecionar automaticamente o tráfego quando uma rota começa a falhar e fazer manutenção preventiva antes que o problema apareça para o usuário.

“Na prática, só instalar a tecnologia quase nunca será suficiente. É o monitoramento constante que evita quedas em horários de pico, reduz oscilações e garante que a velocidade contratada chegue de forma constante. É assim que a fibra deixa de ser só um cabo e passa a entregar consistência na conexão”, conclui Duran.

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