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ToggleO debate sobre o fim da escala 6×1 pode ter impactos que vão além do aumento dos custos trabalhistas no varejo alimentar. Especialistas avaliam que a mudança tende a tornar o setor mais atrativo para os trabalhadores, reduzindo a rotatividade de funcionários, mas também deve acelerar investimentos em automação, inteligência artificial e monitoramento remoto para compensar a redução das horas de trabalho.
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O varejo supermercadista movimenta R$ 1,067 trilhão por ano, o equivalente a 9,12% do PIB brasileiro, reúne mais de 424 mil estabelecimentos e gera cerca de 9 milhões de empregos diretos e indiretos. Ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades para preencher vagas operacionais, um dos principais desafios apontados pelos executivos do setor no estudo Smart Market ABRAS 2025.
Para Sami Diba, CEO da Neo Estech, a principal transformação provocada pela eventual adoção de uma nova jornada ocorrerá nos bastidores da operação dos supermercados.
“A discussão não deveria ser apenas sobre trabalhar menos horas. A questão central é como manter produtividade, disponibilidade operacional e qualidade de serviço em um cenário com menos presença humana. Isso exigirá mais automação, mais monitoramento e mais inteligência aplicada à operação das lojas”, afirma.
Segundo o executivo, a redução da jornada pode eliminar parte dos postos operacionais, mas também criar novas oportunidades em áreas como manutenção especializada, análise de dados, gestão remota e operação de sistemas inteligentes.
A avaliação se baseia na experiência da Neo Estech, que monitora mais de 55 mil equipamentos por meio de cerca de 300 mil sensores instalados em supermercados brasileiros. A empresa atende mais da metade do varejo alimentar nacional, acompanhando ativos como sistemas de refrigeração, climatização e câmaras frias com uso de inteligência artificial e análise preditiva.
A plataforma identifica falhas, desperdícios e oportunidades de eficiência antes que problemas afetem a operação das lojas, reduzindo riscos e custos.
Economia de energia e novos riscos
Levantamento da empresa aponta que uma eventual redução do horário de funcionamento das lojas pode gerar economia anual de energia entre R$ 36 mil, em supermercados de vizinhança, e mais de R$ 108 mil em unidades de atacarejo.
Por outro lado, menos horas de operação também podem ampliar os riscos quando não há monitoramento remoto. Em cenários de fechamento aos domingos, equipamentos críticos podem permanecer até 34 horas sem inspeção presencial, aumentando a possibilidade de falhas em sistemas de refrigeração e energia, com impactos sobre produtos perecíveis.
Segundo o estudo, melhorias na gestão do consumo energético poderiam gerar uma economia de aproximadamente R$ 296 milhões por ano para o setor. Em contrapartida, falhas energéticas não detectadas podem provocar perdas superiores a R$ 2,6 bilhões em mercadorias.
Na avaliação de Diba, a redução da jornada pode contribuir para tornar o varejo supermercadista mais atrativo para os profissionais, mas exigirá uma transformação operacional baseada em tecnologia.
“A escassez de mão de obra já pressiona o setor. Quem conseguir combinar retenção de talentos com automação, inteligência artificial e gestão inteligente da operação terá uma vantagem competitiva importante nos próximos anos”, conclui.

