Volume de contratações para produtos de financiamento para consumo triplica em cinco anos. Inadimplência no período se mantém estável.
O crescimento sólido na base de produtos de financiamento ao consumo para pessoas físicas não demonstra impacto significativo nos índices de inadimplência nacional. Esta é uma das principais conclusões do levantamento feito pela Accenture, empresa global de consultoria, tecnologia e outsourcing – a partir da análise de dados disponibilizados pelo Banco Central. O estudo foi realizado a partir de informações coletadas entre janeiro de 2000 e fevereiro de 2008.
Para Armando Gonçalves, executivo da Accenture responsável pelo estudo, “os mecanismos de proteção frente a um eventual descontrole nas taxas de inadimplência são bem administrados pelo governo, que atua com o apoio da indústria bancária na fiscalização de riscos”. Segundo a análise, 76% de todo o crédito no Brasil concentra-se em modalidades de menos riscos (consignado e veículos). Além disso, entre 2003 e 2008, 87,2% dos pagamentos foram feitos em dia. Os atrasos acima de 90 dias corresponderam a 6,7% do total de financiamento ao consumo.
A estes fatos somam-se ainda o aumento das taxas de financiamento com o recente aumento do IOF, medida que deve ser vista como administrativa para o controle da expansão do mercado. “Ainda que tal ação tenha impacto direto nas taxas de juros, verificamos reduções nos custos de financiamento, que ocorrem lenta e gradualmente”, afirma Gonçalves. No período entre 2003 e 2008, as taxas que mais sofreram alterações foram, na média, as oferecidas para a compra de automóveis.
Ainda que o crédito mantenha-se positivo para o mercado de crédito para pessoa física, o Brasil pode evoluir em suas ofertas de financiamentos. A Accenture verificou que, ao relacionar crédito ao consumidor e PIB nacional, o país ainda está longe de outras nações. Com 9% de seu PIB focado em crédito para consumo, somente em 2014 o Brasil atingirá o estágio atual dos EUA, que é de 18%. Para equiparar-se à Espanha, com 22% de volume do PIB em crédito, seriam necessários mais dez anos.

