Economia Digital

Fintechs usam gamificação para melhorar finanças de usuários em aplicativos

Para engajar usuários, seja para economizar ou realizar investimentos, fintechs estão utilizando uma técnica aplicada em diferentes tipos de ensino, a gamificação. Afinal, mudar para lúdico o aprendizado e afazeres torna o que podia ser cansativo em uma atividade prazerosa. O livro brasileiro Gamification Inc. conta que 25% da riqueza global atual foi gerada por “pessoas que cresceram pulando cogumelos, combatendo monstros para salvar princesas e conduzindo bólidos surrealistas em troca de vidas extras”.

 

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Não é por acaso que, segundo estimativas de um dos maiores especialistas no assunto, Karl Kapp, o mercado de gamification que, em 2013 era de 421 milhões de dólares, chegou em 2018, a marca 5,5 bilhões de dólares e segue crescendo. De acordo com um estudo da P&S Market Research, o setor de gamificação deve faturar mais de US$ 22 bilhões até 2022. A demanda para o setor está cada vez mais alta, uma vez que os mercados estão encontrando na gamificação uma maneira de interagir melhor com o seu cliente.

Tornar o uso do aplicativo prazeroso e levar a educação financeira aos usuários foram alguns dos motivadores para a aplicação da estratégia de gamificação na plataforma da Mobills, startup de gestão de finanças pessoais. Segundo Géssica Passos, UX Lead da fintech, essa técnica ajuda o usuário a se tornar mais autônomo e autossuficiente, pois ele consegue atingir objetivos que antes pensava só serem possíveis com o auxílio ou orientação de um especialista.

A principal maneira de ganhar pontos no aplicativo é por meio da frequência de utilização. Quando o participante realiza determinadas atividades, ele é recompensado com pontos Mobills que podem ser utilizados para adquirir benefícios. A plataforma ainda proporciona a indicação de serviços ou produtos de parceiros, como uma forma de incentivar os usuários a expandir seus conhecimentos na área de finanças.

Desde a implementação das dinâmicas de gamificação na plataforma Mobills, mais de 625 milhões de pontos já foram conquistados por usuários, além de 38.898 trocas realizadas através da loja no app.

“Nossa gamificação está amadurecendo constantemente, e estamos vendo uma transição do design de Motivação Extrínseca (recompensas e incentivos) para o de Motivação Intrínseca (tornar as tarefas realmente agradáveis). Isso é importante porque recompensas e incentivos podem motivar uma pessoa a começar a realizar um conjunto de ações, mas a motivação não dura muito tempo se não se “balança continuamente uma cenoura na frente da pessoa”. A Motivação Intrínseca garante uma motivação de longo prazo porque a própria realização da tarefa parece significativa e gratificante”, finaliza Géssica.

Outra fintech que surfa na onda da gamificação é a Robinhood. Quando os investidores fazem sua primeira negociação na plataforma, uma animação com confete aparece na tela do celular. Se alguém convidar um amigo e ele se inscrever no aplicativo, os usuários podem ganhar como recompensa uma ação famosa como da Apple ou da Amazon. É possível ainda ver no programa quais são as ações mais negociadas do momento. Todas essas recompensas e interações dentro do aplicativo são recursos da gamificação. O engajamento do app de investimento fez tanto sucesso que gerou comunidades fortes nas redes sociais, no TikTok, por exemplo, a hashtag “robinhoodstocks” tem milhões de visualizações.

A Easynvest é também um exemplo de plataforma nacional que está desenvolvendo um projeto piloto chamado “Monstro dos Investimentos”, representado num jogo com sete cabeças, uma para cada barreira psicológica para investir. Segundo a empresa, foi realizado um teste com 10 mil clientes, com simulações de dois dos principais entraves quando o assunto é investir: a cabeça viciada na poupança e a cabeça com aversão ao risco. A plataforma deve ser lançada ainda este ano, será online e totalmente gratuita, oferecida a clientes e não clientes.

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