Um grupo formado por fabricantes de tecnologias para a 4ª geração da telefonia celular que atuam no Brasil realizará evento em Brasília no próximo dia 25 para apresentar a solução e propor aceleração na liberação do leilão de freqüências de 2,5 GHz, acreditando na aprovação por parte do Governo até o fim do ano e fomentando uma "real" banda larga móvel para o País.
A União Internacional de Telecomunicações (UIT) já sugeriu que a freqüência de 2,5 GHz seja utilizada com a Opção 1 – contida na recomendação UIT-R M 1036-3 – que propõe a divisão do espectro para a tecnologia pareada e não pareada, respectivamente, o que incluiria o LTE e o WiMAX no cenário atual brasileiro e até mundial. No Brasil, a liberação dessa freqüência está “emperrada” na Anatel, que avalia a sua manutenção para os serviços MMDS ou o seu repasse para WiMAX ou LTE, e até mesmo a sua divisão entre as duas tecnologias. Nesse contexto, fabricantes de equipamentos de redes e até de chips para celular – leia-se a Qualcomm – formataram um evento no próximo dia 25 de junho para apresentar a solução a algumas autoridades em Brasília.
“A Opção 1 da UIT estipula a divisão de 70 MHz de upload e 70 MHz de download para o tráfego de banda larga via LTE, e de 50 MHz para upload e download do WiMAX, uma solução já adotada em países mais desenvolvidos na tecnologia, como a Suécia, que está lançando comercialmente a 4ª geração da telefonia celular por meio da operadora TeliaSonera”, diz Jaime Blanco, diretor de assuntos públicos e regulatórios da Ericsson. Diga-se de passagem, ela foi uma das fornecedoras de rede para a operadora sueca, junto com a Hauwei.
Para ele, o Brasil pode replicar esse modelo, assim como outros países do mundo o está fazendo. “Isso permitirá que acompanhemos o restante do mundo no desenvolvimento de tecnologias para a evolução da banda larga móvel, fomentando, ainda, um mercado mundial de produtos para infraestrutura de rede e de devices e a facilidade de implantações localmente”, intervém Paulo Breviglieri, diretor corporativo sênior e country manager da Qualcomm.
A Qualcomm, aliás, está desenvolvendo os primeiros chipsets para LTE com lançamento comercial previsto para meados de 2010. “Prazo no qual devemos ter as primeiras ofertas de aparelhos celulares compatíveis com a tecnologia. E, claro, dual ou tri-band”, conta Breviglieri.
Elo forte dessa corrente na fomentação da 4G, a Qualcomm, assim como a Alcatel-Lucent, Ericsson, Nokia-Siemens, Nec e outros fabricantes tradicionalmente de redes de telefonia celular defende a massificação do LTE como o ponto de convencimento na liberação da freqüência. Apesar de nenhum desses fabricantes ter afirmado em nome das operadores celulares, há os que dizem que elas já estão saindo na defesa do LTE, dado a possibilidade de evolução natural das suas atuais redes HSPA para o LTE. “A TIM confessou a probabilidade de que em menos de dois anos a freqüência atual para a 3G já não seja suficiente para a oferta de banda larga móvel e que é de extrema importância que elas já tenham direito de explorar novas frenquências”, disse Wagner Ferreira, diretor comercial da Alcatel-Lucent.
Cenário Mundial
No Japão, Noruega, Suécia, Canadá e EUA o LTE já está sendo implantado, com destaque para os suecos, na já dita, durante esta reportagem, aplicação da TeliaSonora. “Em todos esses países, com exceção dos EUA, a freqüência escolhida foi a de 2,5 GHz e isso faz com que criemos, além de uma unificação das tecnologias – pois diferente das gerações anteriores da telefonia celular, o LTE é uma unificação dos padrões disputados anteriormente, CDMA e GSM – uma unificação também de espectro para a fabricação de equipamentos, barateando ainda mais a oferta e o aumentando da competição entre os fabricantes”, avalia Blanco, da Ericsson.
Nos EUA, o Governo dividiu a frenquência de 700 MHz, antes destinada para o serviço de TV Terrestre analógica e que agora incorpora tanto o LTE quanto a TV Terrestre Digital fixa e a móvel. “Mas eles já estão revendo isso, com disponibilidade, também, da freqüência de 2,5 GHz, que deverá ser necessária em pouco tempo”, finaliza Blanco.

