Entre janeiro e julho deste ano foram oito transações que somaram cerca de US$ 600 milhões.
Desde que o país alcançou a estabilidade financeira, a logística das empresas multiplicou sua importância. Isso porque, com o mercado a cada dia mais competitivo, há a necessidade de atuar com mais eficiência. E é no processo de movimentação, armazenagem e planejamento fiscal, ou seja, na logística, onde residem as maiores oportunidades de corte de custos e racionalização dos recursos.
Diante disso, o investimento no setor será grande. De acordo com o BNDES, até 2014 o setor industrial vai investir cerca de R$ 850 bilhões no país. Deste montante, o banco estima que R$ 330 bilhões serão destinados para a logística, contribuindo para expandir o mercado de empresas especializadas, que cresce em um ritmo três vezes superior ao PIB. Em 2010, provavelmente, a expansão deve se aproximar de 20%. É comum casos de empresas que dobraram de tamanho, seguidamente, nos últimos três anos.
“Atualmente, o setor de logística no Brasil gira em torno de R$ 300 bilhões com projeções para dobrar de tamanho em cinco anos. Temos potencial para isso, pois, segundo estimativas do setor, apenas 5% das empresas brasileiras investem adequadamente na área, contra um porcentual de 25% nos EUA e 30% na Europa e no Japão”, analisa Antonio Wrobleski, sócio da AWRO Logística e Participações.
Para o especialista investir nesse setor será um bom negócio nos próximos anos e continuará rendendo lucros enquanto a economia continuar aquecida. No entanto, como a atividade logística é complexa, exigindo especialização e grande poder de investimento (capacidade para aguardar retornos que podem demorar mais de dez anos), é importante o tamanho da empresa. “Com essa demanda, o negócio será a cada dia mais para os grandes. Nesse cenário as fusões e aquisições serão a melhor alternativa para as empresas que desejem permanecer como protagonistas no mercado”, pondera.
Esse movimento começou a atrair fundos de investimento. Segundo um estudo interno da AWRO, a disposição desses grupos é colocar cerca de R$ 10 bi no negócio nos próximos três anos. Os reflexos aparecem no número de transações realizadas no setor. No primeiro semestre de 2010, segundo dados da PricewaterhouseCoopers, foram divulgadas no setor de logística oito transações com valor médio de US$ 74 milhões, totalizando cerca de US$ 600 milhões.
No total, de acordo com o estudo, incluindo as transações divulgadas em todos os setores da economia, foram registrados 434 negócios, sendo o private equity responsável por 41% das transações. No Brasil, os investidores financeiros administram US$ 1 bilhão em participação em 200 fundos de capital de empresas brasileiras.
“A previsão é que o setor logístico passe por uma consolidação semelhante a que aconteceu no mercado brasileiro de construção civil”, resume Antonio Wrobleski.

