A Embrapii realizou ontem (10/12) um roadshow na sede do CPQD em Campinas (SP) para debater tendências no setor brasileiro de telecomunicações. A questão principal foi como as novas tecnologias podem ajudar a ampliar a conectividade nos rincões do País de forma economicamente sustentável.
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Agostinho Linhares, coordenador do IPE Digital (Instituto de Pesquisas para a Economia Digital), destacou que a fibra óptica cumpre um ótimo papel nas conexões em áreas mais populosas e que o desafio está mesmo em conectar áreas afastadas. Em sua visão, diferentes ofertas de conectividade satelital podem suprir a demanda e trazer retorno financeiro para os provedores.
Hermano Pinto, diretor do Portfólio InfraTech da Informa Markets Latam, promotora dos eventos Futurecom e Agrishow, diz que é preciso focar em soluções de baixo custo para atender a demanda de áreas remotas. “A conectividade vaia viabilizar negócios e permitir a inclusão digital e financeira na região”, disse ele. Esse novo mercado pode fomentar o desenvolvimento local e permitir novos negócios para os provedores de conexão.
A questão do custo também preocupa o executivo do IPE Digital, que destaca a necessidade de saber quantos usuários dessas regiões estariam dispostos a pagar pelo acesso direto à conexão via satélite pelo celular. “Um modelo de negócios precisaria ser desenvolvido”, diz Linhares.
Os desafios da monetização para a ampliação da cobertura
No painel seguinte, Renato Coutinho, gerente de Desenvolvimento de Negócios Iot & 5G da TIM, deu prosseguimento à questão da ampliação da cobertura móvel. Ele destaca que a TIM está adiantada nos compromissos de ampliação do 5G acordados com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no leilão de frequências. Agora, segundo ele, o que baseia as decisões da operadora no investimento em infraestrutura em áreas de menor densidade populacional é o potencial dos negócios B2B.
Ele explica que a TIM tem olhado para setores como agronegócio e manufatura para basear seus investimentos em locais afastados. Sem clientes desse porte para puxar a demanda, Coutinho diz que essas regiões vão precisar de uma reinvenção no modelo de negócios ou esperar o ciclo de atualização tecnológica.
Leandro Simões, diretor da TWA, empresa de torres de telefonia neutras, complementou dizendo que o modelo de rede neutra para a internet móvel ainda é engessado com o preço tabelado. Por isso, fica difícil transferir o modelo de negócios que é bem sucedido em áreas densas para regiões remotas.
“Torre para uma só operadora é muito caro, então temos que acabar subindo o preço ou criar um modelo novo para compartilhar o mercado”, disse. Uma sugestão poderia ser algum tipo de bonificação para a dona da torre por cliente conectado. “Também temos que pensar em abraçar outros mercados, como o da energia solar e a infraestrutura de edge computing.”
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