A Prodesp foi a primeira companhia a solicitar bloco do novo protocolo, fornecido pelo Registro.br, o qual já está em fase de homologação para implantação no backbone do AS-GESP.
A migração para o ambiente de IPv6 tem sido discutida por todas as empresas, data centers e instituições. O que mais se ouve é que, quanto mais rápido as companhias fizerem a mudança, menos impacto os clientes sofrerão.
Enquanto algumas companhias investem milhões na mudança, como é o caso da Alog, que gastou R$1 milhão, outras, como a Locaweb, por exemplo, afirmam que ainda não é o momento de mudanças, para não frustrar as expectativas dos clientes quanto à possíveis falhas futuras que a migração pode causar.
Até então, a maior preocupação parece vir das empresas privadas. No entanto, os órgãos governamentais também já preparam a mudança para ainda este ano. Em entrevista exclusiva ao Portal IPNews, o gerente de infraestrutura da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo), Guilherme Jorge Lourenção, explicou como o governo do Estado se porta diante deste balanço no mercado tecnológico.
Parte do corpo de membros do LacNic (Latin American and Caribbean Internet Address Registry), a companhia administra o AS-GESP (Sistema Autônomo de Internet do Governo do Estado de São Paulo), o qual representa a rede Intragov, onde são hospedados os programas de governo eletrônico (e-Gov) voltados para a sociedade, como o site Governo para o cidadão, Inclusão Digital, Nota Fiscal eletrônica, BEC, dentre outras.
De acordo com Lourenção, a Prodesp foi o primeiro órgão público a solicitar bloco de IPv6 fornecido pelo Registro.br, o qual já está em fase de homologação para a solução ser adotada no backbone do AS-GESP.
“A Prodesp planeja uma implementação do IPv6 de forma a causar o menor impacto possível para a Rede Intragov e seus usuários. A proposta é montar uma infraestrutura inicial no novo protocolo distinto do IPv4”, explica o executivo.
Guilherme Lourenção afirma que ainda não há uma data estabelecida para a conclusão da migração, tendo em vista que este processo é complexo e envolve uma rede com mais de 14 mil pontos. No entanto, ressalta ele, a ideia é disponibilizar o novo protocolo na rede Intragov de modo que cada órgão possa utilizá-lo à medida que precisar.
Sobre a migração rápida para os setores governamentais, o gerente da Prodesp destaca que a rápida e constante evolução das redes, dos dispositivos e dos aplicativos exige mais recursos, os quais atingem os limites no IPv4. “Os governos estão cada vez mais entrando ou se expandindo no mundo eGov, mGov e M2M e, desta forma, a curto prazo, terão que recorrer à nova versão do protocolo IP para poderem dar continuidade aos seus projetos”.
A Prodesp não divulga valores do investimento na migração para o IPv6.
IPv6 para os usuários finais
Segundo Lourenção, a mudança para o novo protocolo não interfere no perfil do usuário final, pois este busca, em princípio, recursos de rede. No entanto, o IPv6 reforça a idéia do Connected World, ou internet das coisas, pois dispositivos como eletrdomésticos, por exemplo, obterão conexão e serão interativos.
“No Japão, por exemplo, já existe rede de próxima geração (NGN) oferecendo serviço de telefonia IP para os assinantes através do protocolo IPv6, pois lá já existem milhões de usuários atendidos. No Brasil, o número de telefones celulares já se equiparou ao número de habitantes (cerca 190 milhões segundo dados da Anatel)”, finaliza Guilherme.

