Nos últimos anos o governo tem puxado vários negócios das empresas. Independente da atuação, seja fabricante de produtos, operadora e até desenvolvedora de aplicativos em software livre, todas concordam que o segmento público eleva seus resultados.
O governo está investindo cada vez mais em soluções IP (que abrangem voz, dados e imagem). O fato foi constatado por meio de uma pesquisa realizada em 2007 pelo Instituto Sem Fronteiras (ISF) com 180 órgãos e empresas públicas. O estudo indicou que as soluções de rede sem fio (Wireless e WiMax) e VoIP estavam entre as prioridades de investimentos tecnológicos dos entrevistados. De acordo com o ISF, 56% deles afirmaram que fariam investimentos iniciais em voz sobre IP (VoIP), mas começariam por um solução híbrida, menos custosa, para coexistir com suas redes tradicionais.
O resultado indica como nos últimos dois anos o segmento de governo – incluindo as esferas federal, estadual e municipal – tem puxado os investimento das empresas de serviços IP. O Canal VoIP conversou com três empresas: uma fabricante de produtos IP, uma operadora VoIP e uma desenvolvedora de placas de PABX IP em Asterisk, e constatou que todas têm o mesmo desejo: conquistar o governo.
O cenário tem se mostrado favorável e, com isso, as empresas estão arregaçando suas mangas e partindo para a briga das compras governamentais. A fabricante D-Link há dois anos e meio abriu uma filial em Brasilia-DF para atender preferencialmente essa vertical. Frederico Maynart, gerente da área de governo, comenta ter sido umas das decisões mais acertadas pela empresa. “Nossos produtos têm se posicionado muito bem junto aos cases públicos”, comenta.
O executivo confessa que este ano o governo deverá impulsionar ainda mais os negócios da empresa, mesmo sem revelar a participação da divisão no faturamento da companhia. Para se ter uma idéia, assim que começou a funcionar em 2006, a área vendeu 11 mil switches gerenciáveis para o Banco do Brasil. Somente este contrato refletiu em 13% da receita do ano da subsidiária brasileira.
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A área de governo da Transit atende a prefeituras de cinco Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Somente no Estado gaúcho, a empresa está em 73% das prefeituras. Antonio Bosco, diretor comercial da filial Sul, explica que até os municípios menores estão migrando para a telefonia IP. “O primeiro ponto é a redução de custos, mas depois eles percebem que precisam atualizar seu sistema”, diz.
Somente o Rio Grande do Sul representa 20% nos negócios de governo da Transit. Bosco reforça o objetivo da empresa de atuar em 200 cidades da região até o final do ano. Hoje eles estão em 150 prefeituras e câmaras municipais – a grande maioria utiliza a solução Fast VoIP, direcionada para pequenas e médias companhias e que dispensa grandes investimentos.
“Muitos só foram conhecer o VoIP há pouco tempo e tinham péssima impressão. Nosso trabalho tem consistido em chegar até o cliente, explicar os benefícios da solução e então começar a negociar o preços. Os resultados têm sido acima das expectativas”, afirma.
Assim como o executivo da D-Link, o gerente da Transit concorda que o governo impulsiona muito os negócios das empresas. “Os órgãos públicos se renderam aos benefícios dos VoIP. E outra: eles não querem mais ficar defasados em relação às tecnologias, sabendo que o investimento traz retornos significativos”, diz.
A Call Tecnologia nasceu já com foco no Governo. Na capital a empresa brasiliense atende a Anatel, o Disque Detran, o Banco de Brasília e o Fome Zero. Entre os clientes em São Paulo estão o Sesi, Senai e as prefeituras São Paulo e de Paulínia. Hoje com duas mil PAs (Posições de Atendimento) em operação dentro e fora do site da companhia, 70% dos clientes mudaram para tecnologia IP.
Paulo Vinicius Novaes Soares, gerente de Telecomunicações, diz que a vertical de governo traz excelentes resultados para a empresa que investe. “A área governamental é muito específica, temos que constantemente oferecer soluções que otimizem os atendimentos”, avalia.
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É consenso entre os três especialistas que o governo pode estimular muito mais. “Os investiemnto que as empresas têm feito para atender o governo não serão em vão. Vamos ver muito mais ações este ano e 2009 por parte dele. É aguardar para ver”, vislumbra Maynart.



