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Governo dos EUA ordena que Qualcomm-Broadcom interrompa acordo para análise

Preocupação é de que aquisição afete o papel norte-americano no desenvolvimento do 5G. Broadcom afirma que medida é manobra da Qualcomm para impedir voto favorável de acionistas.

O governo dos Estados Unidos ordenou que a Qualcomm adie sua reunião de acionistas, que ocorre esta semana, para que possa analisar a proposta de aquisição da empresa feita pela Broadcom, orçada em US$ 117 bilhões. A ordem partiu do Committee on Foreign Investment in the U.S. (CFIUS), órgão que regula o investimento de estrangeiros no país.

Broadcom reduz oferta pela Qualcomm e acusa empresa de atuar contra os interesses dos acionistas

Conforme informação do The Wall Street Journal, o movimento sinaliza a preocupação do governo norte-americano de que a aquisição poderia afetar o papel dos Estados Unidos no desenvolvimento de tecnologia 5G à medida que a China trabalha para assumir a liderança no setor. Por isso, o caso se torna uma questão de segurança nacional.

A Broadcom criticou a medida, argumentando que foi uma tentativa da Qualcomm de impedir a conclusão da aquisição. “Este foi um ato descarado e desesperado da Qualcomm para consolidar seu conselho de diretores e impedir que seus próprios acionistas votassem para os indicados a favor da Broadcom”, escreveu a empresa em um comunicado.

Além disso, a Broadcom argumentou que não representa uma ameaça à segurança nacional norte-americana. Atualmente, a empresa está localizada em Singapura, mas no final do ano passado prometeu mudar sua sede para os Estados Unidos. O CEO da empresa, Hock Tan, nasceu na Malásia e agora é cidadão dos EUA.

A empresa também argumenta que seu conselho de administração é composto quase inteiramente por americanos e que grande parte de seus investidores também são de lá. A companhia ainda diz que reconhece o papel do CFIUS e que vai cooperar na análise, assim como foi feito na aquisição da Brocade no final de 2017. “Deve ficar claro para todos que isso faz parte de um esforço sem precedentes da Qualcomm para que seus próprios acionistas desistam do negócio”, completa.

A Qualcomm, por sua vez, negou que a ação seja uma manobra e ressaltou a independência do comitê norte-americano. Para a empresa, se o CFIUS determinou que existem riscos à segurança nacional dos EUA é porque se trata de um “assunto muito sério”.

A Broadcom anunciou sua tentativa de assumir a Qualcomm no final do ano passado, em uma transação que, se consumada, seria a maior da indústria tecnológica. A Qualcomm, por sua vez, resistiu em grande parte ao esforço, embora nas últimas semanas a empresa tenha realizado várias reuniões com funcionários da Broadcom.

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