Alcides Troller, VP da GVT, informa que previsão de investimento saltou de R$ 850 milhões para R$ 1,5 bi.
Qual é a importância da oferta triple play e como a GVT está posicionando os seus produtos neste contexto?
Banda larga, telefonia e TV. A parte do tripé faltante para a GVT é a TV. Estamos a bastante tempo acompanhando a evolução do ambiente regulatório nesta área, um pouco da evolução tecnológica, e entendemos que temos uma posição única em relação a qualquer outra operadora, porque o fato de ter rede IP pode fazer com que a proposta de valor seja diferente.
No início do ano passado tinha pré-selecionamos alguns fornecedores para a plataforma de TV por assinatura e temos a expectativa de lançar o sistema em 2011, no segundo semestre.
TV por assinatura
Não está demorando. A GVT tem um plano de negócio e é bem fiel a este plano. Não que sejamos rígidos em relação ao plano de negócio mas, dentro deste ambiente, a prioridade era telefonia, banda larga, expansão da oferta de banda larga iniciada no final de 2007 e intensificada principalmente em 2010. Não adianta pensar em TV por assinatura sem ter uma presença grande no país.
O segundo ponto é que considerando as particularidades da rede, fazia muito mais sentido definir o modelo de negócio na área de TV por assinatura após um entendimento melhor sobre o como o ambiente regulatório iria evoluir. Achamos que estamos no timing certo. A penetração de TV por assinatura ainda está muito baixa, há pouco tempo começou a evoluir e a expectativa é que ela seja mais intensa nos próximos anos, quando a população terá mais renda para absorver este produto.
Estamos no tempo certo. Há alguns benefícios em ser early adopter, mas também é importante aprender com os outros e lançar produtos com alguns riscos já mapeados.
Por que 2011?
A cadeia de valor no negócio de TV por assinatura é relativamente complexa. Temos que lidar com uma nova tecnologia, novos equipamentos, há o relacionamento com fornecedores que não faziam parte do nosso ecossistema, pedidos de licença, elaboração do plano de negócio, testes de produtos, levantamento de demanda e os contratos para lançamento dos serviços.
A GVT é uma empresa rápida, que tem que ser rápida, mas que apesar do foco em execução – pode imaginar que não há muita atenção para a etapa de planejamento – tem como diferencial a capacidade de planejar e executar com a mesma velocidade.
Não vemos este projeto de TV como secundário. Queremos entrar neste negócio para ser um competidor relevante. Até teríamos condições de lançar este produto em dois ou três meses, com um processo um pouco mais dolorido, mas quando se coloca à mesa a proposta de valor da GVT, a TV por assinatura deve respeitar o nosso perfil. Por isso, acreditamos que um projeto de 8 a 10 meses talvez seja mais sensato.
Vocês utilizam algum caso internacional como espelho para este projeto?
À época do lançamento da portabilidade numérica percebemos que não é possível utilizar um país ou uma empresa como modelo, porque cada ambiente tem as suas particularidades. Olhamos todo o mercado, mas não conseguimos dizer ‘este é o modelo’. Em TV por assinatura acontece a mesma coisa. Olhamos grandes operações de TV por assinatura em países com dinâmicas semelhantes a do Brasil em termos de infraestrutura de banda larga, fizemos várias combinações, mas não enxergamos um país ou empresa que possamos identificar como um espelho e ser seguido à risca.
Plano de Expansão
Da expansão das ofertas da GVT para todo o país, tanto em serviços residenciais quanto corporativos, o que já foi feito e o que está por vir no curto e médio prazos?
Já operamos no mercado corporativo de São Paulo e Rio de Janeiro há muitos anos. E no varejo, no final de 2007, demos o primeiro passo, expandindo da região 2, a original, para a região metropolitana de Belo Horizonte. Em 2008, fomos para o Nordeste (Salvador). Em 2009, entramos nas regiões metropolitanas de Vitória e Recife e, este ano, aceleramos ainda mais a expansão, com a ativação da operação em Fortaleza, João Pessoa e Campina Grande. Na metade do ano continuamos expandindo no estado de Pernambuco, para Olinda e, há algumas semanas, começamos a operação em Sorocaba e Jundiaí, em São Paulo.
Olhando este cenário, ano a ano, está expandindo a geografia, o que mostra que o modelo é replicável e tem se mostrado bem-sucedido. Como próximos passos, da GVT colocou no seu plano ter o melhor provedor de serviços de próxima geração – banda larga, conexão dedicada e até entretenimento – nos mercado chaves do Brasil.
Entrando em São Paulo e no Rio de Janeiro, não concluímos a etapa de expansão territorial, mas nos aproximamos da meta inicial. Até 2011 devemos estar operando nesses dois Estados, obviamente não cobrindo toda a cidade, porque selecionamos as regiões com maior concentração demográfica e com bom equilíbrio entre empresas e mercado residencial, porque temos boas ofertas para ambos. Crescemos de dentro para fora. Começamos nas áreas com maior concentração demográfica e expandimos.
Qual é o orçamento programado para investimentos em 2010 e 2011?
Em 2010, vamos investir R$ 1,5 bilhão. Tínhamos aprovado um aporte de R$ 850 milhões, que foi revisto para R$ 1,1 bilhão e depois para 1,5 bilhão. Este será o maior investimento da história da GVT até aqui. No ano passado, investimos R$ 658 milhões, e para 2011 ainda estamos em planejamento. O que será apresentado no dia 15 de outubro.
Atualmente, como se comporta o crescimento da cesta de produtos da GVT? Qual é a oferta que mais cresce?
Tem dois produtos que crescem muito. Oitenta e quatro porcento dos clientes da GVT tem banda larga. Por isso, as pessoas associam muito a GVT com banda larga. A metade deles tem conexões a 10 megabits por segundo ou acima. Ou seja, o cliente GVT tem banda larga de alta velocidade. Mas hoje o produto mais vendido é o Premium, voltado ao mercado residencial, no qual a pessoa pode fazer interurbanos mais baratos e tem franquia para celular e para telefonia fixa. A GVT é uma empresa de telecom com uso muito intenso da oferta de banda larga.
Em portabilidade, 45% das vendas mensais vêm com portabilidade numérica. Há uma relação interessante entre os números que vieram da GVT e os que foram para outras operadoras. A relação está em quase 8 para 1.
O cliente foi agraciado com a portabilidade, e a GVT, por ter uma ótima relação benefício, acabou sendo a melhor opção.
Efeito VoIP
Para explorar o segmento VoIP, a companhia possui a Vono. Como estão os negócios nesta área e qual é a estratégia de crescimento para 2010 e 2011?
Vono é um produto para GVT. Há alguns poucos anos, houve uma expectativa exagerada em relação a Voz sobre IP. Claro que é uma tecnologia super bacana, muito impulsionada pelo efeito Skype, um produto muito legal principalmente no modelo gratuito, mas não há um modelo de negócio que se sustente por muito tempo sendo gratuito.
Agora, sim, as aplicações de voz estão ocupando o espaço certo, que é o de uso mais intenso de telefonia.
O Vono hoje é um produto super importante. Mais voltado a pequenas e médias empresas, do que para usuário residencial. Este final de 2010 e início de 2011, deve ser um período bem intenso na GVT sob o ponto de vista de lançamentos de produtos, e isso inclui Vono.
Telefonia Celular
Por que a GVT ainda não se posicionou na área de telefonia móvel?
Estamos estudando isso há muito tempo. Mas do jeito como está hoje, com as exigências da banda H, a GVT não vai entrar. Nossa prioridade é a expansão da base e o lançamento do serviço de TV por assinatura.
Compra e Venda
Qual é a visão da GVT sobre a nova fase de consolidação do setor de telecom brasileiro. Há, naturalmente, uma corrida das operadoras para atrair capital e se manter na competição, não?
A consolidação de empresas não é um fenômeno brasileiro nem específico de telecom. O que acho é que tem que existir um conjunto de regras que sempre estimulem a competição.
Sobre o fôlego de investimentos, só posso falar pela GVT, que talvez tenha algumas vantagens, porque primeiro surgiu olhando uma perspectiva de banda larga de alta velocidade. Já temos uma rede preparada e isso reduz a necessidade de investimento.
O que diferencia a GVT de empresas que nasceram há 30 ou 40 anos, é que a nossa rede também permite uma oferta rica de entretenimento. Outro fator, é que somos uma empresa com um modelo de gestão voltado a eficiência operacional. Uma empresa enxuta, que tem autonomia total para tomar decisões, algo que prevalece mesmo depois da aquisição da Vivendi.
Não temos grandes requerimentos de Capex para avançar em uma oferta triple play. E, justamente por isso, podemos oferecer uma estrutura de preço ao consumidor mais interessante.
A entrada da Vivendi no capital da GVT, por enquanto, não alterou o perfil da operação. Estão previstas mudanças?
Nestes meses de relacionamento com a Vivendi vimos que eles estão garantindo autonomia total à GVT no que diz respeito à expansão geográfica e a entrada no segmento de TV por assinatura. Em nenhum momento teve que submeter os projetos à França. Eles sequer têm, por exemplo, uma área de telecom, para avaliar os projetos.
Ao mesmo tempo é bom lembrar que eles compraram o controle da GVT conhecendo o plano de crescimento da empresa.
Naturalmente, o controlador tem uma visão de longo prazo e estimula investimentos que não estavam previstos no passado. Isso amplia a nossa capacidade de investimento e a possibilidade de olhar negócios com payback um pouco mais longo do que tínhamos no passado.
PNBL
Como avalia o Plano Nacional de Banda Larga e de que forma a GVT participará do processo?
Primeiro, quando olhamos o plano pela motivação de aumentar a oferta de banda larga e promover a famosa inclusão digital. Todos são favoráveis. Mais e mais é um instrumento de formação de pessoas, educação, eficiência. Outro ponto é que o Plano ainda está muito do início. Não dá para saber exatamente como será o PNBL, até porque o projeto da Telebrás ainda não está totalmente completo e ainda está sendo estudada a sua viabilização.
O PNBL talvez seja uma oportunidade muito boa de estabelecimento de parceria entre a Telebrás e as empresas privadas, inclusive, para aumentar a oferta de serviços. Por exemplo, há cidades em que a GVT gostaria de oferecer serviços, mas não o faz por limitação de backbone. Achamos que há uma possibilidade interessante de parceria.
É importante encontrar um formato que também viabilize a oferta de produtos e serviços via Telebrás. A ideia de levar banda larga para localidades onde há baixa densidade cria uma oportunidade de as operadoras de telefonia sentarem com a Telebrás, entenderem o Plano e tentarem trabalhar de forma estruturada, para que ele seja um caminho para a oferta de serviços para quem quiser participar. Também queremos ter a oportunidade conversar com a Telebrás e conhecer o Plano.
A GVT é a operadora mais agressiva sob o ponto de vista de oferta de links de alta velocidade. Como será esta oferta quando forem iniciadas as conexões do PNBL?
A prioridade para São Paulo, por enquanto, mesmo em Sorocaba e Jundiaí, onde já operamos, é a construção da rede. Este é um trabalho bastante complexo pelo número de habitantes, as condições geográficas e a ocupação do solo.
E quanto às parcerias com os governos estaduais para a oferta de banda larga popular, como ocorre em São Paulo. Vocês vão participar de alguma iniciativa?
Até aqui não tivemos contato com nenhum governo do estado para entender o projeto de banda larga popular. Estamos em faze inicial da construção da rede, e nossa linha é sempre oferecer alta velocidade de banda larga a preço baixo. Este é o típico produto que temos hoje.

