Na última sexta-feira (14/8), foi realizado o “Amazônia Conectada”, webinário que discutiu formas de promover a sustentabilidade da região amazônica através da conectividade. Na ocasião, o Ministério das Comunicações (Minicom), a Oi e a Huawei apresentaram seus projetos que aumentaram o acesso à Internet na região. De acordo com a Pesquisa TIC Domicílios 2019, o índice de domicílios no Norte com Internet subiu de 63% em 2018 para 72% em 2019, acima das regiões Centro-Oeste (70% em 2019) e Nordeste (65%).
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De acordo com Rodrigo Abreu, CEO da Oi, a operadora conseguiu conectar 110 municípios na região amazônica com uma rede de fibra óptica de 8 mil quilômetros de extensão. Foram 900 mil novos domicílios atendidos, segundo números da Huawei, que foi a responsável por implementar a infraestrutura.
O projeto foi realizado com cabos fluviais, que levaram a infraestrutura óptica submersa nos rios da Bacia Amazônica. Segundo Sun Baocheng, CEO da Huawei Brasil, a iniciativa conectou cidades com menos de 1 mil habitantes com um custo 50% menor que o de projetos tradicionais. “Isso permitiu que ele fosse mais rentável e aumentássemos a cobertura”, disse.
A perspectiva de Baocheng é que a infraestrutura construída com a Oi possa promover a digitalização da economia local, permitindo telemedicina e ensino a distância, bem como a conexão da agricultura sustentável na Amazônia. “Tem um potencial de conecta 20 milhões de brasileiros”, afirmou o CEO.
Já o secretário substituto de Telecom do Minicom, Artur Coimbra, destacou que a região Norte é muito dependente de conexão via satélite, por isso a importância do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), lançado em maio de 2017 pelo governo brasileiro. Com essa infraestrutura, o governo conseguiu conectar 378 municípios na região, levando Internet de até 58 Gbps para 318 unidades de saúde e 182 aldeias indígenas.
É possível fazer mais
No entanto, Coimbra disse que apenas 3% dos municípios da região Norte contam com acesso à Internet acima de 10 MB. Por isso, ele defendeu políticas públicas para que a Amazônia pelo menos se equipare com o resto do Brasil. “A intenção é usar os rios para infraestrutura, como o projeto Amazônia Conectada (programa governamental de 2015), cujo plano é conectar as principais cidades da região por cabos fluviais”, disse.
Emmanoel Campelo, vice-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), lembrou que o conselho diretor do órgão vai discutir a destinação do fundo do Gired, criado para levar a TV digital a todos os brasileiros, para alavancar a digitalização da região amazônica. Segundo ele, são R$ 1,4 bilhão no fundo.
Rodrigo Abreu, da Oi, sugere uma política pública com entes privados. “Dada a extensão da região e a inviabilidade econômica de se implementar conexão por meios tradicionais é preciso uma política pública, além de questões regulamentares, como direito de passagem”, afirmou. “Parcerias público-privada e demanda por conexão são as chaves para abrir círculo virtuoso na região.” Ele defendeu que os fundos setoriais têm esse papel. “O PERT (Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações) da Anatel já versa sobre isso.”
Por fim, Carlos Roseiro, diretor de Soluções Integradas da Huawei Brasil, disse que a Huawei pode contribuir a partir de sua tecnologia, como a Rural Cell, infraestrutura de telecom com custo mais acessível e que replica sinal de uma antena maior (carregado com energia solar). “Não existe uma visão de desenvolvimento sustentável para a Amazônia sem conectividade e forma de diminuir desigualdade são parcerias público-privada”, encerrou.
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