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IA agêntica pode adicionar US$ 200 bi ao mercado de serviços digitais até 2030, aponta BCG

A inteligência artificial agêntica – sistemas capazes de planejar, decidir e executar processos de forma autônoma – deve ampliar em até US$ 200 bilhões o mercado global de serviços de tecnologia nos próximos cinco anos. A estimativa é da Boston Consulting Group (BCG), em estudo que analisa como a nova geração de IA está transformando o setor de outsourcing, consultoria, integração e serviços gerenciados.

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Segundo a consultoria, ao contrário da percepção de que a automação reduzirá a demanda por serviços, a IA agêntica tende a expandir o mercado ao criar novas oportunidades em desenvolvimento, implantação, operação, governança e supervisão de sistemas autônomos. Com isso, o segmento deve manter um crescimento anual composto entre 6% e 8% até 2030.

O que é IA agêntica

Diferentemente da IA generativa tradicional, focada na produção de texto, imagens ou códigos, a IA agêntica é capaz de executar tarefas de múltiplas etapas com maior autonomia. Esses sistemas conseguem acessar bases de dados, acionar ferramentas, tomar decisões e conduzir fluxos de trabalho completos para alcançar resultados de negócio.

Na prática, isso significa que agentes de IA poderão automatizar processos como concessão de crédito, atendimento ao cliente, fechamento contábil, gestão de incidentes de TI e análise de fraudes, reduzindo custos e ampliando a escala operacional.

Mercado em rápida expansão

O estudo mostra que a adoção corporativa já está acelerando:

  • Mais de 40% das grandes empresas afirmam que estão escalando implementações de IA agêntica;
  • 75% pretendem contratar provedores de serviços para construir e operacionalizar casos prioritários;
  • Cerca de 45% das empresas esperam aumentar seus investimentos em IA;
  • Em algumas organizações, contratos com IA já proporcionaram reduções de 25% a 40% no custo total de propriedade (TCO).

Para o BCG, 2026 representa um ponto de inflexão, marcando a transição de projetos-piloto para implementações corporativas em larga escala.

Três novas fontes de receita

A consultoria identifica três grandes frentes de crescimento para os prestadores de serviços de tecnologia.

1. Construção, implantação e operação de agentes

Empresas precisarão de apoio para desenhar casos de uso, integrar agentes a sistemas corporativos, modernizar infraestrutura e operar ambientes com IA.

2. Ampliação do escopo terceirizável

Com agentes mais sofisticados, atividades antes pouco viáveis para outsourcing passam a ser delegadas a terceiros, criando novos serviços baseados em dados e automação.

3. Governança e supervisão contínua

Sistemas autônomos exigirão monitoramento em tempo real, gestão de riscos, trilhas de auditoria, controles de compliance e estruturas de human-in-the-loop.

C-level assume protagonismo

O levantamento aponta que os executivos da alta administração são hoje os principais compradores de soluções baseadas em IA agêntica, com participação mais do que duas vezes superior à de seus subordinados diretos no processo de contratação.

Essa mudança reduz o ciclo de decisão e coloca a IA no centro da agenda estratégica das organizações.

Lacunas entre expectativa e entrega

Apesar do entusiasmo, o estudo revela um descompasso entre o que as empresas esperam e o que os provedores conseguem entregar.

Enquanto os clientes projetam ganhos de produtividade entre 30% e 40%, a maioria dos fornecedores compromete-se com melhorias de apenas 6% a 15%. Além disso, quase 60% das empresas ainda não observaram redução mensurável do custo total de propriedade em contratos com IA.

Outro desafio está no modelo comercial. Mais de 70% dos executivos preferem contratos vinculados a resultados ou outputs, mas cerca de 60% dos fornecedores ainda trabalham com estruturas tradicionais baseadas em tempo e materiais ou preço fixo.

Impacto sobre o emprego e as competências

A adoção da IA agêntica deve reduzir entre 10% e 20% da estrutura tradicional das equipes de entrega nos próximos 24 meses. Ao mesmo tempo, surgirão novas funções, como engenheiros de produtos de IA e desenvolvedores de agentes conversacionais, com crescimento estimado entre 40% e 50% ao ano.

Segundo o BCG, o número total de profissionais do setor pode continuar crescendo, mas com uma composição muito mais orientada a competências em IA, automação, governança e integração.

Cinco prioridades para os provedores

O estudo recomenda que as empresas de serviços de tecnologia adotem cinco movimentos estratégicos:

  1. Reformular portfólios com soluções nativas em IA agêntica;
  2. Demonstrar retorno sobre investimento com métricas concretas;
  3. Fortalecer o ecossistema de parceiros, incluindo hyperscalers e plataformas SaaS;
  4. Transformar os modelos de entrega, combinando humanos e agentes de IA;
  5. Requalificar a força de trabalho para novas funções e competências.

Oportunidade para o mercado brasileiro

Para integradoras, consultorias, outsourcers e provedores de serviços gerenciados no Brasil, o estudo reforça que a IA agêntica não representa apenas um vetor de eficiência, mas uma oportunidade concreta de ampliar receitas e criar novas ofertas de alto valor agregado.

À medida que as empresas aceleram seus investimentos em automação inteligente, cresce a demanda por parceiros capazes de projetar, implantar, operar e governar agentes de IA com segurança, escala e foco em resultados.

Nesse cenário, os prestadores que conseguirem alinhar portfólio, talentos e modelo comercial à nova dinâmica do mercado terão melhores condições de capturar uma fatia relevante de uma oportunidade global estimada em US$ 200 bilhões até o fim da década.

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