A combinação entre inteligência artificial, expansão da conectividade e aumento dos ataques digitais está levando o seguro cibernético a ocupar um espaço estratégico nas discussões sobre infraestrutura crítica e proteção de dados no Brasil. O alerta foi feito pelo conselheiro da Anatel, Edson Holanda, durante o Telebrasil Summit 2026.
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Segundo Holanda, não é mais possível dissociar conectividade de segurança digital, principalmente diante da aceleração provocada pela IA. “Você não discutir cibersegurança, eu acho isso extremamente perigoso, porque a IA vai potencializar o desenvolvimento econômico, mas também vai potencializar os riscos de cibersegurança”, afirmou o conselheiro durante o evento.
O executivo também chamou atenção para a baixa adesão das empresas brasileiras ao seguro contra ataques digitais. “Setenta por cento das empresas não têm seguro contra ataques cibernéticos. Isso mostra que, sem um marco regulatório, não teremos um arcabouço para proteger empresas e usuários”, declarou Holanda em painel sobre infraestrutura digital e governança tecnológica.
A fala reforça um movimento que já começa a ganhar força no mercado segurador e no ecossistema corporativo. Reportagem recente do IPNews mostrou que o seguro cibernético deixou de ser visto apenas como proteção financeira e passou a integrar estratégias de continuidade operacional, compliance e gestão de risco.
A projeção é de forte expansão global. Segundo estimativas citadas pelo mercado, o segmento pode ultrapassar US$ 118 bilhões até 2032, impulsionado pelo crescimento dos ataques de ransomware, vazamentos de dados e interrupções operacionais causadas por incidentes digitais.
No Brasil, o avanço da digitalização e da economia baseada em dados também pressiona empresas e governos a ampliarem investimentos em proteção digital. Estudos recentes apontam que ataques cibernéticos já figuram entre os principais riscos corporativos da América Latina, enquanto a adoção de IA amplia a superfície de exposição de empresas, operadoras e infraestruturas críticas.
Para Holanda, a resposta regulatória precisa acompanhar essa transformação. O conselheiro defendeu um modelo baseado em risco e sustentou que a Anatel deve exercer papel central na construção da governança digital brasileira, especialmente em temas relacionados à segurança das redes, proteção de usuários e confiabilidade da infraestrutura de conectividade.
O debate ocorre em um momento em que especialistas alertam para a convergência entre soberania digital, telecomunicações e cibersegurança. Documento publicado pelo IPNews destaca que tecnologias como IA, IoT, 5G e big data ampliam a complexidade dos riscos digitais e exigem uma agenda nacional de segurança cibernética mais robusta.
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