O que você vai ver nesse artigo:
ToggleDurante a Abrint Global Congress 2026 (AGC26), em São Paulo, o presidente da Cirion Technologies no Brasil, Augusto Salomon, afirmou que a inteligência artificial generativa inaugura um novo ciclo de investimentos em infraestrutura digital e deverá elevar de forma significativa a demanda por conectividade e capacidade de processamento.
CONTEÚDO RELACIONADO – Cirion anuncia nova liderança e separa operações de Conectividade e Data Centers
Segundo o executivo, à medida que empresas e consumidores incorporarem aplicações baseadas em IA ao cotidiano, o tráfego de dados poderá quadruplicar em determinados ambientes, pressionando redes metropolitanas, backbones e data centers.
“A inteligência artificial não é apenas uma tecnologia. Ela muda o comportamento das pessoas e das empresas, assim como a internet fez no passado, mas em uma intensidade muito maior”, afirmou em entrevista ao IPNews.
Principais gargalos
Na avaliação de Salomon, o avanço da IA esbarra hoje em dois fatores estruturais: energia elétrica e conectividade.
O primeiro desafio está relacionado ao consumo energético dos data centers que sustentam os modelos de linguagem e outras aplicações de inteligência artificial. O segundo está na necessidade de transportar volumes cada vez maiores de dados entre usuários, nuvens e centros de processamento. “Se eu tivesse recursos para investir hoje, colocaria em conectividade e data centers”, disse.
Salomon observou que, historicamente, o tráfego de dados cresce de forma acelerada, mas a inteligência artificial tende a ampliar ainda mais esse movimento. “Há casos em que, após a adoção de IA, o tráfego praticamente quadruplicou. Ainda não é algo generalizado, mas é uma questão de tempo”, afirmou.
Ela analisa que “como as aplicações generativas exigem consultas intensivas a bases de dados e múltiplos processos de inferência, o que resulta em um consumo de rede significativamente maior do que o das buscas tradicionais ou de outras aplicações digitais”.
IA pode elevar o ticket médio dos provedores
Para Salomon, o benefício mais imediato da inteligência artificial para os provedores será a possibilidade de ampliar o consumo de banda por assinante. “O usuário vai precisar de mais capacidade em casa e, em algum momento, terá de migrar para planos superiores”, afirmou.
O executivo acredita ainda que novos modelos comerciais deverão surgir, incluindo acordos entre provedores e plataformas de inteligência artificial para troca de tráfego e distribuição de conteúdo.
Salomon destacou que a disseminação de agentes autônomos – capazes de planejar viagens, realizar reservas e executar tarefas completas – aumentará ainda mais o volume de dados trafegados.
Essas aplicações consultam múltiplas bases de dados, cruzam informações e executam processos complexos, exigindo capacidade de rede muito superior à das aplicações tradicionais.
Na avaliação do presidente da Cirion no Brasil, a inteligência artificial consolidará conectividade e data centers como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico.
“Vai chegar um momento em que será necessário investir pesadamente em infraestrutura. A questão será como financiar essa expansão”, afirmou.
Para o executivo, provedores regionais, operadoras, plataformas digitais e empresas de tecnologia terão papéis complementares na construção da infraestrutura necessária para sustentar a próxima fase da transformação digital.

