Economia Digital

IA e operações autônomas vão transformar o setor de energia até 2030, aponta estudo

A indústria global de energia e químicos entrou em uma corrida acelerada rumo às operações autônomas. É o que revela o novo Relatório Global de Maturidade em Autonomia , divulgado pela Schneider Electric, que ouviu 400 executivos seniores de 12 países e identificou um avanço significativo da automação industrial impulsionado principalmente pela inteligência artificial (IA), pela crescente demanda energética dos data centers e pela necessidade de maior eficiência operacional.

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Segundo o levantamento, cerca de um terço das operações do setor já funciona de forma totalmente autônoma, enquanto a expectativa é que esse índice se aproxime de 50% até 2030. Hoje, as organizações relatam operar com aproximadamente 70% de autogestão, percentual que deve chegar a 80% nos próximos cinco anos.

A pesquisa mostra que a IA tornou-se o principal vetor dessa transformação. Para 49% dos executivos entrevistados, a tecnologia é o principal fator de aceleração das operações autônomas, à frente de recursos como computação em nuvem e edge computing, gêmeos digitais, automação aberta definida por software e sistemas avançados de controle de processos.

A pressão para adoção dessas tecnologias é crescente. O estudo aponta que 59% dos executivos acreditam que adiar investimentos em autonomia operacional aumentará os custos operacionais, enquanto 52% alertam para o agravamento da escassez de mão de obra qualificada e 48% temem perda de competitividade.

Outro ponto central do estudo é o impacto da expansão da infraestrutura digital sobre o setor energético. A Schneider Electric destaca que o crescimento de ambientes de nuvem de hiperescala e a explosão da demanda por IA estão elevando drasticamente o consumo energético global. A expectativa é que a demanda por eletricidade se aproxime de 1.000 TWh até 2030, aumentando a pressão sobre eficiência, resiliência e flexibilidade das operações.

Neste cenário, a América do Norte desponta como a região com maior potencial de aceleração nos próximos anos, impulsionada justamente pela expansão dos data centers voltados à IA. Já os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e a Ásia lideram atualmente os níveis de maturidade em automação industrial. A Europa, por outro lado, mantém evolução mais gradual.

Apesar do avanço, a implementação ainda enfrenta barreiras importantes. Entre os principais desafios apontados pelos executivos estão os altos custos iniciais (34%), a presença de sistemas legados (30%), resistência organizacional (27%), preocupações com cibersegurança (26%) e incertezas regulatórias (25%).

Para a Schneider Electric, a autonomia industrial deixou de ser apenas tendência tecnológica para se tornar questão estratégica. Segundo Gwenaelle Avice Huet, vice-presidente executiva da companhia, a transformação não visa substituir profissionais, mas ampliar produtividade, segurança e capacidade analítica das equipes.

O estudo também destaca casos práticos de implementação. Na refinaria Scotford, da Shell, no Canadá, a Schneider Electric participa da modernização das operações com automação aberta definida por software. Já na planta Power-to-X da European Energy, na Dinamarca – considerada a primeira instalação comercialmente viável de e-metanol do mundo — a companhia utiliza IA, monitoramento remoto e gêmeos digitais para otimizar a produção de combustíveis limpos.

O relatório foi desenvolvido em parceria com a Censuswide e a Development Economics, com apoio do analista independente do mercado de energia Gaurav Sharma.

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